HomeDESTAQUEComo Ratinho Junior sairá da cilada sem ferir ninguém?

Como Ratinho Junior sairá da cilada sem ferir ninguém?

Enquanto isso, na “República de Matinhos”, papagaios de pirata, conselheiros, “amigos de última hora”, não deixam o governador Ratinho Junior na paz para ouvir um pagode, um sertanejo e jogar um beach tênis. Todo mundo quer saber quem será o “escolhido” para sua sucessão.

Ratinho Junior vive hoje um paradoxo típico de governadores bem avaliados no fim do mandato: força demais para decidir cedo e risco demais para errar na escolha. A sucessão virou uma cilada silenciosa, onde cada movimento pode gerar fissuras internas difíceis de recompor.

Empurrar com a barriga não é sinal de indecisão pura, mas de cálculo. Manter Rafael Greca, Alexandre Curi e Guto Silva no jogo preserva o equilíbrio da base, evita deserções prematuras e impede que qualquer um se enfraqueça antes da largada oficial.

Todos seguem “pré-candidatos”, mas nenhum recebe a bênção — ainda.

Curi está deixando o Legislativo, onde é presidente, para disputar o Palácio Iguaçu. Rafael Greca tem certeza de que Ratinho Junior não vai traí-lo e Guto Silva é, hoje, o “homem” do governador.

Ratinho sabe que escolher agora significa criar dois insatisfeitos com poder de fogo político. Greca carrega capital simbólico e eleitoral de Curitiba; Curi controla musculatura legislativa e articulação regional; Guto é o homem da confiança, da máquina e da continuidade administrativa. Desagradar qualquer um deles é abrir flanco onde hoje há coesão.

Do outro lado está Sergio Moro, discurso pronto e pouca dependência da política local. Para enfrentá-lo, Ratinho precisa de algo mais do que um candidato: precisa de unidade, tempo de TV, estrutura e narrativa. Antecipar a decisão pode transformar aliados em espectadores ressentidos — ou, pior, em obstáculos silenciosos.

A estratégia, portanto, é esticar a corda sem rompê-la. Valorizar publicamente os três, distribuir espaço, sinalizar lealdade a todos e adiar o veredito até que o cenário externo amadureça. Pesquisa, contexto nacional, humor do eleitor e até movimentos de Moro pesarão mais do que pressa interna.

No fim, a escolha não será apenas por quem tem mais voto, mas por quem consegue sair da disputa interna sem deixar feridos pelo caminho. A sucessão de Ratinho Junior não é uma corrida — é um jogo de paciência. E, na política, quem decide por último costuma decidir melhor.

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