HomeEconomiaCooperativismoProdutor pode colher soja de chapelão e não vestido para subir em...

Produtor pode colher soja de chapelão e não vestido para subir em andaime

Folheando a revista do Sistema Faep, que traz informações sobre o campo e principalmente o homem do campo, uma matéria chamou a atenção. Depois de dias de apreensão digna de filme-catástrofe — com produtores imaginando a substituição do velho chapéu de palha por um capacete de obra — o Sistema Faep resolveu avisar o óbvio: ninguém vai precisar trocar tradição por EPIs coloridos.

A Norma Regulamentadora 31 (NR-31), em vigor desde 2005 e redescoberta agora como se fosse novidade revolucionária, não manda o produtor rural abandonar o chapéu nem sair parecendo operário de canteiro no meio da lavoura. Ao contrário do que andou circulando em rodas alarmistas e redes sociais, a regra apenas exige algo aparentemente radical: análise técnica e bom senso.

Segundo o Sistema Faep, a NR-31 determina que o Equipamento de Proteção Individual seja usado conforme o risco da atividade. Em outras palavras, capacete para quem corre risco de pancada na cabeça; chapéu para quem enfrenta sol escaldante, chuva e a realidade do campo — aquela que não costuma caber em gabinete refrigerado.

“O que a norma exige é gestão de riscos, com responsabilidade”, explicou o presidente da Faep, Ágide Eduardo Meneguette, numa tentativa de devolver a NR-31 ao seu devido lugar: o da racionalidade. Ele ainda lembrou algo que parece ter escapado aos mais entusiasmados pela padronização universal: o chapéu não é só símbolo cultural, também protege — e muito — contra o sol.

O campo segue como sempre foi: com sol forte, trabalho duro e chapéu na cabeça. E a NR-31 continua fazendo o que sempre fez — sendo ignorada por anos e, de repente, tratada como ameaça existencial à cultura rural. Então, o produtor segue sem obrigação de colher soja vestido para subir em andaime.

MAIS LIDAS

ÚLTIMAS