HomePolíticaEstadualComo Piana governará o Paraná?

Como Piana governará o Paraná?

Não há calmaria na política paranaense. Enquanto o governador Ratinho Junior (PSD), que deverá deixar o cargo em abril para disputar a Presidência da República ou o Senado Federal segue como protagonista absoluto da política paranaense. Há, no entanto, neste jogo político, um silêncio quase constrangedor em torno de quem, por força constitucional, ocupará o Palácio Iguaçu por cerca de nove meses: o vice-governador Darci Piana.

Darci Piana, um respeitado cidadão, não um personagem folclórico nem coadjuvante improvisado. É empresário experiente, presidente da Fecomércio, profundo conhecedor dos setores da indústria, do comércio e dos serviços — justamente os motores reais da economia do Estado.

Ele carrega uma imagem rara na política, em especial na paranaense: a de homem correto, discreto, avesso a bravatas e escândalos. Talvez aí resida o problema.

Na política paranaense, tão afeita ao espetáculo, ao marketing e às frases de efeito, a sobriedade costuma ser confundida com ausência. O vice que não faz barulho vira, automaticamente, uma figura decorativa. Mas a transição que se desenha não é meramente protocolar. Ratinho Junior deixará o cargo no auge de sua influência, com forte controle da máquina e da narrativa. O risco, portanto, é que o Paraná passe a ter um “governo em exercício”, mas não exatamente um governo em ação.

A pergunta que se impõe não é jurídica, é política: Darci Piana será apenas um sucessor, encarregado de manter a cadeira aquecida, inaugurar obras herdadas e evitar ruídos até outubro? Ou assumirá, de fato, como governador, imprimindo estilo próprio, decisões próprias e, sobretudo, autoridade própria?

Nove meses, em política, não são irrelevantes. São tempo suficiente para consolidar liderança — ou para confirmar a tese de que o poder continua em outro endereço. Se optar pelo papel passivo, Piana será lembrado como um administrador interino, correto e educado, mas invisível. Se decidir exercer o cargo em plenitude, pode surpreender um Estado acostumado a subestimar figuras que falam baixo e trabalham alto.

No fim, a diferença entre “sucessor” e “governador” não estará no Diário Oficial, mas na coragem de assumir o comando. O Palácio Iguaçu não exige apenas honestidade e experiência — exige pulso. E isso, até aqui, segue sendo a grande incógnita.

Lembramos que, nos últimos anos, os que sucederam o governador, imprimiram um ritmo efetivo de governança que marcaram épocas e são, até hoje, lembrados por suas gestões. Entre eles, João Elisio Ferraz de Campos, Mário Pereira, Orlando Pessuti e Cida Borghetti.

MAIS LIDAS

ÚLTIMAS