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“Brasil e Itália vivem o Carnaval de formas diferentes, mas com a mesma paixão”, diz Renata Bueno

Máscaras silenciosas ou tambores ensurdecedores? Doces delicados ou feijoada reforçada? Enquanto no Brasil o Carnaval explode nas ruas ao som do samba e termina só depois do amanhecer, na Itália ele desfila com elegância entre palácios históricos, fantasias centenárias e rituais cheios de simbolismo. Duas festas com o mesmo nome: e almas completamente distintas.

Essa dualidade chama a atenção de Renata Bueno, ex-parlamentar italiana, advogada internacional e empreendedora, que há mais de vinte anos divide sua vida entre o Brasil e a Itália. “Viver tanto tempo na Itália sem romper meus laços com o Brasil me permitiu enxergar o Carnaval com um olhar duplo. São festas muito diferentes, mas movidas pela mesma necessidade humana de alegria, expressão e liberdade”, afirma.

Corpo em movimento ou fantasia em cena?
Segundo Renata, a principal diferença está na forma como a festa ocupa o espaço e o corpo.
“No Brasil, o Carnaval é vivido com o corpo inteiro. A música invade as ruas, o chão vibra, e ninguém fica parado. É impossível não participar”, conta.

Já na Itália, o Carnevale segue outro ritmo. “Ele é mais contemplativo, quase teatral. As pessoas caminham, observam, participam de desfiles e bailes. Existe uma elegância histórica, especialmente em cidades como Veneza”, explica.

Enquanto no Brasil o improviso e a espontaneidade comandam, na Itália a tradição dita o tom. “Nada é por acaso: as máscaras, as roupas, os gestos. Tudo carrega significado.”

Política, história e liberdade disfarçada
Renata destaca que, no Brasil, o Carnaval também é palco de crítica social. “O samba-enredo é um verdadeiro editorial cantado. Ele denuncia injustiças, resgata histórias esquecidas e dá voz ao povo”, diz.

Na Itália, a crítica aparece de forma mais simbólica. “As máscaras sempre representaram anonimato e liberdade. Durante séculos, eram uma forma de inverter papéis sociais, algo revolucionário para a época.”

Sabores que também contam histórias
A experiência carnavalesca também passa pela mesa e isso muda bastante de um país para outro.
“No Brasil, a comida precisa sustentar horas de festa: feijoada, acarajé, churrasco, tudo é intenso, forte, energético”, comenta.

Na Itália, o Carnaval tem gosto de doce. “As chiacchiere, castagnole e zeppole são quase um ritual familiar. A festa acontece entre risadas, cafés e receitas passadas de geração em geração.”

Viver ou apreciar?
Para Renata, não se trata de escolher qual Carnaval é melhor. “O brasileiro vive o Carnaval como se o mundo fosse um grande bloco. O italiano aprecia, observa, registra. São apenas formas diferentes de expressar a mesma alegria coletiva.”

Essa dualidade, segundo ela, reflete o espírito de cada cultura. “Um é calor, improviso e emoção à flor da pele. O outro é estética, memória e encantamento.”

Dois países, um mesmo coração festivo
No fim, Renata acredita que o Carnaval revela algo universal. “Entre o batuque que faz o peito vibrar e o silêncio elegante das máscaras, existe o mesmo desejo: celebrar a vida, rir e, por alguns dias, esquecer as regras.”

E conclui com afeto: “Um Carnaval me lembra de onde eu venho. O outro, de quem me tornei. Ambos mostram que cultura não se compara, se vive. Buon Carnevale e feliz Carnaval!”

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