Atriz curitibana Tati Pasquali retorna, após 20 anos, com dupla estreia na capital, como autora e em seu primeiro monólogo, trazendo peça densa e pertinente à toda sociedade
Em plena era de Mulheres Superlativas, que dão conta de múltiplas atribuições, a atriz Tati Pasquali retorna aos palcos de sua terra natal com dupla estreia, como autora e em seu primeiro monólogo em um texto necessário para discutir a sobrecarga feminina vivida no Brasil e fora, a maternidade, e as transformações depois dos 40 anos. Com referências de uma mulher imigrante, a atriz há nove anos vive em Portugal, e inspirado em um texto de 1967 de Simone de Beauvoir, ela traz o monólogo autoral “A Mulher Desarvorada”, peça já consagrada pelo público nos palcos lusitanos ao longo de 2025.
A estreia no Brasil invariavelmente precisava ser em Curitiba (dias 24, 25 e 26 de abril), e foi no teatro em que Tati Pasquali descobriu o fascínio pelos palcos, na época com 14 anos de idade, o Espaço Excêntrico Mauro Zanatta. Depois seguirá para a capital fluminense e em meados do ano (4 a 26 de julho) estará no Festival de Avignon, na França. No Rio de Janeiro, ficará em cartaz entre os dias 8 e 17 de maio, no espaço Abu, em Copacabana. “Fiz questão que o pontapé inicial da minha volta ao Brasil fosse em Curitiba, depois de ser mãe, depois da pandemia e após 20 anos longe dos palcos daqui, já que antes de Portugal, morei 14 anos no Rio de Janeiro. A atriz interpretou alguns personagens em novelas da Rede Globo e Record, dentre eles, a mãe da personagem Carminha (da atriz Adriana Esteves), em Avenida Brasil (2012), que reprisou em Portugal recentemente e, atualmente, na TV aberta no Brasil. “Acho importante estrear em Curitiba, ainda mais com o primeiro monólogo da minha carreira e sendo um tema e em um momento tão necessário”, afirma.
Além da peça, o Coletivo Marianas, na sexta (dia 24), e o Movimento Olga Benário, no sábado (dia 25), vão promover rodas de conversa para quem quiser participar, ao final das peças. O objetivo é que o assunto não se encerre, uma vez que os índices de violência contra as mulheres no Brasil e no mundo são uma questão de toda a sociedade. “Tanto que tenho dado preferência por trabalhar com mulheres e fazer minha parte”, explica. Em 2025, o Brasil registrou 1.548 vítimas de feminicídio, média de quatro mortes por dia, de acordo com o Ministério das Mulheres.
Sobre a peça
A Mulher Desarvorada é um monólogo, inspirado em textos de Simone de Beauvoir. Uma mulher com idade na faixa dos 40 anos, que construiu a vida em torno da família, vê sua vida desmoronar quando o marido lhe informa que tem outra mulher.
Tati Pasquali, atriz do espetáculo e que também assina a dramaturgia, quebra a quarta parede para partilhar também as suas experiências pessoais, misturando ficção com realidade, existencialismo com a crueza da vida real, travando de forma delicada um diálogo com o público sobre um tema transversal a todas as mulheres: a falta de controle sobre a própria existência a partir da maternidade.
SERVIÇO
O quê? A Mulher Desarvorada
Quando: 24, 25 e 26 de abril
Horários: sexta (24) e sábado (25) 20h e domingo (26) 19h.
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia


