HomeDESTAQUEGoverno retaliará parlamentares no caso Messias

Governo retaliará parlamentares no caso Messias

A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado levou o Palácio do Planalto a iniciar uma ofensiva interna para identificar parlamentares que votaram contra o nome do governo. A derrota, considerada inédita, acendeu um alerta sobre a coesão da base aliada e levou à revisão das estratégias políticas no Congresso, informa o Metrópoles.

O resultado da votação, realizado de forma secreta, provocou forte desconforto entre aliados do presidente Lula. A apuração interna busca mapear possíveis dissidências e entender como a expectativa de vitória acabou frustrada no plenário.

Após o revés, Lula convocou uma reunião com Jorge Messias para discutir as causas da rejeição e traçar os próximos passos. Também participaram do encontro o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o ministro da Defesa, José Múcio, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Nos bastidores, interlocutores do Planalto indicam que o governo avalia medidas políticas como reação. Entre as possibilidades está a exoneração de indicados ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que ocupam cargos na administração federal.

José Guimarães afirmou que o governo respeita a decisão do Senado, mas cobrou esclarecimentos sobre o resultado. “Cabe ao Senado explicar as razões dessa desaprovação”, declarou.

Derrota inédita e impacto na articulação

A rejeição de Jorge Messias marca a primeira vez, em mais de um século, que um nome indicado ao STF é barrado pelo Senado. O episódio representa um revés significativo para o governo, que vinha intensificando a articulação para garantir a aprovação.

Antes da votação, Messias percorreu gabinetes e se reuniu com ao menos 77 senadores, incluindo parlamentares da oposição. A base governista acreditava contar com cerca de 47 votos favoráveis. Paralelamente, o Planalto ampliou a liberação de emendas parlamentares, com R$ 11,6 bilhões empenhados apenas em abril, sendo R$ 2,5 bilhões direcionados a senadores.

Apesar do esforço, o resultado foi adverso. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, reconheceu a surpresa com o desfecho. “Para mim, foi uma surpresa. Estávamos esperando 44 ou 45. Cada um vota com a sua consciência”, afirmou.

Bastidores e disputa política no Senado

No Congresso, parlamentares avaliam que a derrota teve influência da atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo relatos, ele teria se posicionado contra a indicação e defendido outro nome para a vaga no Supremo, o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

A tramitação da indicação já indicava dificuldades. Embora Jorge Messias tenha sido indicado em novembro de 2025, o envio formal ao Senado ocorreu apenas em abril, após meses de adiamento motivados pelo receio de rejeição.

Diante do cenário, cresce entre aliados a avaliação de que uma nova indicação ao STF poderá ser adiada para depois das eleições, enquanto o governo busca recompor sua base e evitar novos desgastes políticos.

Informações Brasil247

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