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Alimentos pressionam inflação em Curitiba com impacto do diesel e do conflito no Oriente Médio

A inflação oficial desacelerou em abril, mas os alimentos seguem pressionando o custo de vida dos consumidores paranaenses. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,67% no Brasil e de 0,66% em Curitiba e Região Metropolitana (RMC), conforme análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os maiores impactos vieram do grupo Alimentação e bebidas, que avançou 1,34% no país e 1,35% em Curitiba e RMC, mantendo os alimentos como principal foco de pressão inflacionária. Segundo a análise da Fecomércio PR, o aumento dos custos logísticos e de transporte, influenciado pela alta do diesel, vem contribuindo diretamente para a elevação dos preços ao consumidor.

Além da alimentação, o grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 1,16% no cenário nacional. Já em Curitiba e Região Metropolitana, o segundo maior avanço foi observado em Vestuário, com variação de 0,99%.

Entre os produtos com maiores aumentos de preços na capital paranaense em abril estão cenoura (+39,79%), leite longa vida (+16,50%), cebola (+15,25%), tomate (+13,05%), repolho (+12,37%) e melancia (+11,74%). O movimento reflete fatores sazonais, recomposição de margens e, principalmente, o impacto dos custos de transporte sobre a cadeia de abastecimento.

Por outro lado, algumas quedas ajudaram a conter parcialmente o índice. Em Curitiba e Região Metropolitana, os recuos mais expressivos ocorreram em passagem aérea (-14,77%), banana-d’água (-8,43%), emplacamento e licença (-4,83%), presunto (-4,12%), roupa de cama (-3,58%) e contrafilé (-3,29%).

O grupo Habitação também contribuiu para suavizar a inflação regional, ao registrar alta de apenas 0,22% em Curitiba. O resultado foi influenciado pela redução de 0,22% no preço da energia elétrica residencial, que exerceu impacto desinflacionário relevante no mês.

No acumulado de 12 meses, a inflação oficial atingiu 4,39% no Brasil, acima dos 4,14% dos 12 meses anteriores. Em Curitiba e Região Metropolitana, o índice acumulado ficou em 3,33%, ainda abaixo da média nacional.

De acordo com o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, embora a inflação permaneça abaixo do teto da meta estabelecida para os próximos meses, o cenário já demonstra aceleração e exige atenção. “A inflação segue dentro do intervalo da meta, cujo limite superior é de 4,50%, mas há um movimento de pressão mais evidente, principalmente nos alimentos e nos custos relacionados ao transporte”, avalia.

Segundo Dezordi, o conflito no Oriente Médio tem impacto direto sobre esse cenário, especialmente por meio do petróleo e do diesel. “O forte aumento do óleo diesel está relacionado aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo. Isso afeta o transporte de mercadorias, eleva custos logísticos e acaba pressionando principalmente os alimentos”, explica.

Para conter essa pressão, o governo federal lançou em abril a MP do diesel, que criou medidas emergenciais com subvenção de até R$ 0,80 para produtores nacionais e de até R$ 1,20 por litro para o diesel importado. A medida é válida até 31 de maio e busca reduzir os efeitos das oscilações internacionais no preço final ao consumidor.

No acumulado de janeiro a abril de 2026, a alta dos alimentos em Curitiba e Região Metropolitana se mostra ainda mais intensa. A cenoura acumula aumento de 84,91%, seguida por tomate (+49,58%), pepino (+48,60%), cebola (+37,65%), leite longa vida (+31,36%), batata-inglesa (+30,21%) e óleo diesel (+20,60%).

“Seguindo a tendência nacional, a alimentação no domicílio em Curitiba e Região Metropolitana está sendo pressionada pelos efeitos do conflito no Oriente Médio, pelo aumento dos custos de transporte e pela recomposição de preços ao longo da cadeia produtiva”, analisa Dezordi.

Já os itens com comportamento mais favorável ao consumidor no acumulado do ano foram emplacamento e licença (-17,96%), maçã (-9,88%), açúcar cristal (-8,40%), café moído (-7,76%), azeite de oliva (-6,88%), mamão (-6,46%), cortina (-6,38%) e autoescola (-5,97%).

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