A cirurgiã-dentista Victoria Machado Pereira, de Curitiba, vem se dedicando ao estudo da Síndrome da Ardência Bucal, uma condição ainda pouco compreendida que provoca sensação de queimação na boca, mesmo na ausência de alterações visíveis.
Durante sua formação acadêmica e desenvolvimento de pesquisa científica, Victoria investigou os principais fatores relacionados à síndrome, destacando seu caráter multifatorial e o impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes.
Segundo a pesquisadora, a condição é caracterizada por sintomas como ardência, dor, boca seca e alteração no paladar, podendo ocorrer de forma contínua e, muitas vezes, sem uma causa evidente ao exame clínico. “É uma situação desafiadora tanto para o paciente quanto para o profissional, justamente porque não há sinais visíveis que expliquem o desconforto relatado”, explica.
De acordo com os dados analisados em sua pesquisa, fatores sistêmicos como diabetes, uso de medicamentos, deficiências nutricionais, além de aspectos emocionais como ansiedade e depressão, estão frequentemente associadas ao desenvolvimento da síndrome.
Victoria também destaca que muitos pacientes apresentam sintomas concomitantes, como xerostomia (sensação de boca seca), que em alguns casos está relacionada à diminuição do fluxo salivar.
O diagnóstico, segundo ela, exige uma avaliação criteriosa e detalhada, sendo realizado principalmente por exclusão de outras doenças. “É fundamental investigar o histórico de saúde do paciente e considerar fatores sistêmicos e emocionais para chegar a um diagnóstico mais preciso”, ressalta.
Em relação ao tratamento, a cirurgiã-dentista explica que não há uma cura definitiva, mas existem abordagens capazes de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Entre elas estão terapias medicamentosas, acompanhamento psicológico e tratamentos tópicos.
Entre as alternativas estudadas, o uso da camomila tem ganhado destaque. “Observamos resultados promissores no alívio da ardência, especialmente quando associado a um cuidado multidisciplinar”, afirma.
Para Victoria Machado Pereira, o acolhimento do paciente é parte essencial do tratamento. “Muitas vezes, o paciente sofre não apenas pela dor, mas pela dificuldade em entender o que está acontecendo. A informação e o acompanhamento adequado fazem toda a diferença”, conclui.


