Estudantes do Colégio Diego Montaña Cuéllar, em Bogotá, na Colômbia, uniram futebol, memória e direitos humanos em uma exposição inspirada em um projeto do Museu do Holocausto de Curitiba. Nomeada “Futebol e Memória”, a mostra colombiana reuniu 11 camisetas de times de futebol e, em cinco dias, recebeu cerca de 170 visitantes, entre estudantes, professores e funcionários da escola.
A iniciativa mobilizou 30 estudantes do 8º e do 10º ano, séries que no Brasil correspondem ao Fundamental II e ao Ensino Médio, responsáveis por montar a exposição. As camisetas foram selecionadas priorizando peças ligadas a fatos sociais, políticos ou econômicos vividos por times latino-americanos e europeus conhecidos dos alunos. Cada uma foi acompanhada de uma ficha explicativa, contando a história por trás da camisa.
Na Colômbia
A ideia nasceu do contato da professora de Ciências Sociais Karen Franco com a exposição “Camisas Contra o Ódio”, produzida pelo Museu do Holocausto de Curitiba. Em 2025, Franco morou em Curitiba para realizar uma pesquisa de doutorado sobre educação em direitos humanos e mobilização social na Colômbia e no Brasil, na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Foi nesse período que conheceu e passou a acompanhar o trabalho da instituição.
De volta à Colômbia, a professora decidiu adaptar o formato da mostra do museu curitibano para a realidade de sua escola. Aproveitando o clima da Copa do Mundo e o gosto dos estudantes pelo futebol, ela viu no tema uma oportunidade de estimular o engajamento acadêmico ao longo do ano letivo. “Percebi que a linguagem da exposição poderia funcionar com meus alunos”, conta Franco, que leciona há 15 anos.

Painéis da exposição “Futebol e Memória”, criada pelos estudantes do Colégio Diego Montaña Cuéllar, em Bogotá, na Colômbia. Foto: Karen Franco/Divulgação
Localizado em Usme, na zona sul de Bogotá, o Colégio Diego Montaña Cuéllar atende majoritariamente estudantes em situação de vulnerabilidade social, muitos deles afetados pelo conflito armado colombiano. Para a professora, temas como memória e direitos humanos dialogam diretamente com as histórias pessoais da comunidade escolar.
“Confio que, aos poucos, os estudantes reconheçam que são eles que movem a escola, as comunidades às quais pertencem e, é claro, em um país como a Colômbia, constituem o centro para reconstruir o tecido social a partir do que são, de seus saberes, do que pensam e do que fazem”, destaca a professora. Para ela, a experiência foi “um cenário de aprendizagem para toda a comunidade educativa”.
O sucesso do projeto já rendeu desdobramentos. Um professor de outra escola em Bogotá conheceu a mostra e convidou Franco a levá-la para sua instituição. Ela agora trabalha em ajustes de curadoria para transformar “Futebol e Memória” em uma exposição itinerante. “Essa exposição me ensinou que cada esforço para transformar a escola é uma oportunidade de aprender em conjunto, fazer memória e construir outras formas de ser como sociedade”, relata.
No Brasil
A repercussão do projeto também chegou ao Museu do Holocausto de Curitiba. “Nós recebemos a notícia com muita surpresa e alegria”, conta Luzilete Falavinha, do Departamento Pedagógico da instituição. “É incrível como a professora conseguiu pensar em uma proposta pedagógica inspirada no Museu para trabalhar questões locais, que tinham a ver com os estudantes.”
De acordo com Falavinha, o caso ilustra o propósito do trabalho pedagógico do Museu. “O nosso intuito é estimular cada vez mais os professores a desenvolverem trabalhos a partir da história do Holocausto e dos temas que ele desperta: pensar o preconceito, o racismo e toda forma de perseguição aos minorizados considerando a realidade e o contexto dos estudantes.”
“Camisas Contra o Ódio”
A exposição “Camisas Contra o Ódio”, que inspirou a iniciativa colombiana, é uma criação do Museu do Holocausto de Curitiba e está atualmente em cartaz no Memorial do Holocausto de São Paulo, onde pode ser visitada até 15 de setembro.


