Presidente da Argentina, Javier Milei, faz ataques a Lula, Moraes e o presidente do STF, Edson Fachin responde com firmeza
A convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República acabou se transformando em muito mais do que um ato partidário. O evento ganhou dimensão internacional com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, que fez um discurso marcado por duras críticas ao socialismo, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, principalmente, ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Ao chamar Moraes de “lixo careca” por ter negado autorização para visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, Milei elevou a temperatura política e acabou deslocando o foco da própria candidatura de Flávio Bolsonaro. Em vez de dominar o noticiário pela apresentação de propostas e pela construção de alianças, a convenção passou a ser pautada pela repercussão das declarações do presidente argentino.
Para STF, Milei foi desrespeitoso
A resposta veio poucas horas depois. Em nota oficial, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, classificou a declaração como “desrespeitosa” e reafirmou a plena autonomia do Poder Judiciário brasileiro. Fachin também afirmou que a Presidência da Corte deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve orientar as relações entre Estados soberanos, deixando claro que decisões da Justiça brasileira não estão sujeitas à pressão ou à interferência de líderes estrangeiros.
O episódio reforça que a disputa presidencial de 2026 tende a extrapolar as fronteiras nacionais, incorporando o discurso ideológico que aproxima lideranças conservadoras da América Latina. Ao mesmo tempo, evidencia que ataques às instituições brasileiras tendem a provocar reações firmes do Supremo Tribunal Federal, ampliando um ambiente de forte polarização política que deverá marcar toda a campanha eleitoral.
PT responde dizendo que Brasil é Soberano
Em nota, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o Brasil é “um país democrático e soberano” e que o debate de ideias é legítimo durante o processo eleitoral. Ressaltou, no entanto, que “é inadmissível que um chefe de Estado estrangeiro venha ao nosso país e se dirija em termos desrespeitosos aos seus poderes constituídos”.
Na nota, Edinho afirmou ainda que “não surpreende que o atual presidente da Argentina se comporte desta maneira”, acrescentando que Milei “demonstrou não estar à altura do cargo que ocupa” em diferentes episódios recentes.


