Em nota pública, o ex-governador e ex-senador reclamou que “nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da opinião pública”.
O ex-governador e ex-senador Alvaro Dias (MDB) renunciou à candidatura nas eleições de outubro, deixando assim a composição da chapa articulada pelo governador Ratinho Junior e que o posicionava como postulante a uma das duas vagas à Câmara Alta. Ele divulgou nota pública na tarde desta segunda-feira (3), pouco antes da realização da convenção do Partido Republicanos, que deve celebrar o nome de Alexandre Curi como o nome do grupo situacionista ao Senado Federal. A decisão abre caminho para Cristina Graeml (PSD) para segunda vaga,
Em manifestação em misto de humilde, consciência e pacificação, Alvaro Dias disse que se apresentou à possibilidade de voltar ao Congresso diante do aceno de apoio e incentivo do eleitorado, traduzidos pelos números das pesquisas eleitorais colocando-o entre os favoritos à confirmação nas urnas de uma das duas vagas. Interpretou, contudo, ter aprendido que “nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da opinião pública”. E reforça: “Na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a vontade dos políticos”.
Mais adiante, diz o ex-senador: Infelizmente, aprendi que hoje existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome. E eu jamais aceitaria ser motivo de divisão, ainda mais nessa altura de minha história. Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e por isso também não o farei agora. Portanto, essa é uma decisão que talvez decepcione alguns amigos, mas que eu considero correta diante das circunstâncias: não serei candidato”.
Ainda em sua manifestação, Alvaro Dias sustenta que continuará acompanhando “os destinos de nossa gente, do nosso Estado e do nosso país” e que continuará oferecendo a sua experiência “sempre que ela puder ser útil, sempre que requisitada, opinando quando for chamado, apoiando boas ideias e defendendo aquilo em que sempre acreditei”. O ex-senador não faz nenhuma referência a apoio direto a alguma outra candidatura, mas, conforme as muitas declarações dadas nos últimos dias, continua alinhado à chapa oficial que tem Rafael Greca, de seu partido, como candidato a vice-governador. Aliás, na convenção estadual do MDB, realizada no domingo (2), em Curitiba, a decisão sobre a ratificação da candidatura havia ficado delegada à Executiva Estadual.
Sem esconder a mágoa
Ao se referir às pesquisas que o elevavam ao patamar de competitividade, o ex-governador sustentou não considerar tais números como um prêmio pessoal, “mas sim como o reconhecimento de uma história construída com trabalho dedicação e compromisso com a nossa gente. Confesso que esse apoio despertou em mim uma profunda reflexão. Afinal, quem dedicou uma vida toda ao serviço público nunca deixa de sentir o chamado para continuar contribuindo. Por isso, respondi ao chamado”.
Sobre a desistência, afirma ter feito a escolha com serenidade, sem qualquer sentimento de mágoa, ressentimento ou revolta. “A política é feita de ciclos e a grandeza de quem a exerce está justamente em saber reconhecer o momento de avançar e o momento de recuar. Saio desta decisão com a consciência tranquila. Minha história foi escrita ao lado da população, nas urnas, nas ruas e nas realizações que tivemos a oportunidade de construir juntos”.
Ao encerrar o pronunciamento, Alvaro Dias faz o agradecimento “a cada cidadão que manifestou confiança no meu nome. Este gesto ficará para sempre guardado em minha memória e na minha história. Na política somos passageiros. Os mandatos passam, mas os verdadeiros valores permanecem e eu não estou disposto a negociar os meus. Por isso escolho ficar mais perto das pessoas que me querem perto, da minha família, amigos e apoiadores de sempre…”

Ajustes internos
A saída de Alvaro Dias da disputa a uma das vagas ao Senado Federal vai permitir que o PSD ajuste a presença de Cristina Graeml, que foi atraída ao partido sob pseudo promessa de concorrer à Casa Alta. Em suas últimas entrevistas ela insistiu que não estava no radar a possibilidade de concorrer a uma vaga à Câmara Federal. Assim, a coligação dos partidos em torno das escolhas de Ratinho Junior deve colocar a jornalista em condições de disputa, numa corrida que além de Alexandre Curi, o primeiro nome ratificado pelo governador, conta ainda com Filipe Martins (PL), Deltan Dallagnol (Novo), Gleisi Hoffmann (PT) e talvez Hauly (Podemos).


