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Franquias movimentam R$ 308 bilhões e ampliam presença na economia brasileira

Com quase 1,8 milhão de empregos diretos e presença em cerca de 70% dos municípios, franchising avança para além dos grandes centros

O franchising brasileiro ultrapassou a marca de R$ 300 bilhões em faturamento acumulado em 12 meses e amplia sua participação na geração de empregos, no empreendedorismo e na interiorização de marcas e serviços. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que o setor movimentou R$ 308,4 bilhões no período encerrado no primeiro trimestre de 2026, crescimento nominal de 10,7%.

Somente nos três primeiros meses de 2026, as franquias brasileiras faturaram R$ 72,7 bilhões, avanço nominal de 10,1% em relação ao mesmo período de 2025. O setor alcançou 204.908 operações no país, acréscimo de 6.178 unidades em um ano, além de responder por aproximadamente 1,8 milhão de empregos diretos. Os números reforçam um movimento que vai além da expansão das grandes redes. Com presença em quase 70% dos municípios brasileiros, o franchising se consolida como uma forma de levar negócios estruturados, marcas e oportunidades de empreendedorismo também para cidades fora dos principais centros econômicos.

Para André Henning, cofundador da Go Coffee, a capilaridade é uma das características que ajudam a explicar a força do modelo no Brasil. “A franquia permite levar um negócio estruturado para cidades em que, muitas vezes, aquela categoria ou experiência ainda não estava disponível naquele formato. Quando uma operação chega a um novo município, não estamos falando apenas da abertura de uma loja. Existe contratação, treinamento, fornecedores, circulação de renda e um empreendedor local investindo na própria região”, afirma.

A presença do franchising em cidades menores também acompanha mudanças no comportamento de consumo. Produtos, serviços e experiências antes concentrados nas capitais passaram a encontrar demanda em municípios de diferentes portes. A trajetória da Go Coffee acompanha esse movimento. Fundada em Curitiba, em 2017, a rede nasceu em uma unidade de aproximadamente 25 metros quadrados, baseada no conceito coffee to go. Em 2019, quando contava com três operações, a empresa iniciou a estruturação do modelo que sustentaria sua expansão por franquias.

Expandir para novos mercados exige entender que cidades menores não devem ser tratadas apenas como versões reduzidas das capitais. “A interiorização não significa simplesmente replicar uma loja em qualquer cidade. Cada mercado tem uma dinâmica própria, hábitos de consumo e características comerciais diferentes. A força do franchising está justamente em conseguir combinar o conhecimento e a estrutura da rede com a capacidade do franqueado de entender a realidade local”, explica o cofundador.

Empreendedor ganha estrutura para começar

Outro fator que ajuda a sustentar o avanço do franchising é a possibilidade de empreender a partir de processos já estruturados. Em vez de desenvolver sozinho marca, fornecedores, treinamento, arquitetura, sistemas e operação, o franqueado entra em um modelo previamente estabelecido.

Na Go Coffee, a metodologia de franquias foi desenvolvida internamente. Manuais, padrões arquitetônicos, identidade visual, processos, treinamento e sistemas de gestão foram estruturados pela própria equipe durante o processo de expansão da companhia.

“Empreender sempre envolve risco, e a franquia não elimina isso. O que o modelo consegue fazer é oferecer uma estrutura para que o empreendedor não precise começar todas as decisões do zero. Ele recebe processos, conhecimento acumulado, marca, treinamento e suporte. Isso permite concentrar energia na gestão e no desenvolvimento daquela unidade”, destaca Henning.

A relação entre franqueadora e operador também se torna relevante à medida que as redes ganham escala. Segundo Henning, crescer de forma sustentável depende de manter os interesses dos dois lados alinhados. “Não existe rede saudável sem franqueado saudável. Uma expansão baseada apenas em vender novas franquias pode até gerar números no curto prazo, mas não sustenta um negócio. A prioridade precisa ser criar condições para que as unidades tenham desempenho, porque o crescimento da marca é consequência do crescimento dos operadores”, afirma.

Expansão exige critério

O aumento do número de operações também traz desafios. Escolha do ponto comercial, capacidade de gestão do franqueado, adaptação aos mercados locais e manutenção do padrão da rede passam a ter peso ainda maior conforme uma marca amplia sua presença geográfica.

Na Go Coffee, por exemplo, a análise de novos pontos considera localização, perfil do consumidor e potencial de mercado. Segundo o material institucional da empresa, a rede opta por não avançar com uma operação quando identifica que determinado ponto não apresenta condições consideradas adequadas para o negócio. “Número de unidades não pode ser o único indicador de sucesso de uma franquia. Abrir uma loja é apenas o começo. Antes disso, precisamos avaliar se aquele ponto, aquele mercado e aquele operador têm condições de sustentar o negócio. Crescer com critério pode significar dizer não a determinadas oportunidades para proteger a saúde da rede no longo prazo”, explica Henning.

Tecnologia entra na agenda das franquias

Além da expansão territorial, o franchising passa por uma transformação operacional. Inteligência artificial, omnicanalidade, novos formatos de loja, operações home based e ferramentas de gestão estão cada vez mais presentes na agenda das redes brasileiras.

Para Henning, tecnologia e escala precisam atuar principalmente na simplificação da operação e na capacidade de tomar decisões com mais informação.

“Quanto maior uma rede se torna, menos espaço existe para depender apenas da intuição. Tecnologia ajuda a acompanhar indicadores, padronizar processos, identificar problemas e dar suporte ao franqueado. O objetivo não é substituir a gestão humana, mas oferecer ferramentas para que as decisões sejam mais rápidas e fundamentadas”, avalia.

O avanço das franquias ocorre em um cenário no qual a economia brasileira registrou crescimento real do PIB de 2,3% em 2025. Embora não seja adequado comparar diretamente esse indicador com a expansão nominal do faturamento do franchising, os dados mostram que o setor manteve crescimento de dois dígitos e ampliou sua presença territorial e operacional.

Para o cofundador da Go Coffee, a combinação entre capilaridade, geração de empregos e empreendedorismo ajuda a explicar por que o franchising assumiu um papel relevante na economia nacional. “Quando uma rede cresce de forma sustentável, existe um efeito que vai além da marca. São novos empreendedores, empregos, fornecedores e consumidores movimentando economias locais. É essa capacidade de transformar expansão empresarial em atividade econômica distribuída pelo país que torna o franchising tão relevante”, conclui Henning.

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