s últimas disputas pelo Governo do Paraná tiveram um ingrediente que, desta vez, desapareceu: a tranquilidade. Foi assim com Beto Richa e, depois, com Ratinho Junior, em eleições e reeleições relativamente confortáveis. Agora, o jogo mudou. A ascensão de Sergio Moro endureceu a disputa e transformou a corrida ao Palácio Iguaçu numa batalha voto a voto. Não haverá moleza. E quem chegar ao segundo turno poderá vencer por uma margem estreita.
É nesse cenário que Ratinho Junior se licencia do governo nesta quarta-feira (16) para mergulhar de vez na campanha de Sandro Alex. No Palácio Iguaçu e na chamada República de Jandaia, porém, o sinal continua amarelo. Lideranças políticas apostam nos números das pesquisas internas e trabalham com a avaliação de que o candidato governista precisa crescer pelo menos cinco pontos percentuais nestas três últimas semanas para assegurar uma vaga no segundo turno.
Não basta Sandro Alex apenas sobreviver ao primeiro turno
Esta é a primeira aposta.
A segunda é mais complicada. Não bastaria Sandro Alex simplesmente sobreviver ao primeiro turno. Para enfrentar Sergio Moro, que aliados projetam na casa dos 40% dos votos, seria necessário chegar à decisão com musculatura suficiente para transformar a disputa numa guerra de igual para igual.
E aí entra Requião Filho.
Segundo fontes da campanha de Sandro Alex, se o pedetista ficar fora do segundo turno, o governista precisaria conquistar parcela esmagadora de seus eleitores — a estimativa interna chega a pelo menos 90% dos votos identificados com a esquerda. Uma transferência nada automática e, politicamente, bastante difícil. Hoje, a distância entre Requião Filho e Sandro Alex é pequena, o que torna cada ponto percentual ainda mais precioso.
Do outro lado, enquanto a equipe de Moro já faz contas com cheiro de vitória, talvez seja cedo demais para soltar foguetes. Subestimar a capacidade eleitoral e a força da máquina política de Ratinho Junior pode ser um erro. Principalmente porque, segundo números manejados pelo grupo governista, perto da metade — ou até mais — do eleitorado ainda não conhece suficientemente Sandro Alex.
Ratinho Junior coloca seu capital político na vitrine
É justamente aí que Ratinho Junior pretende entrar em campo.
Ao deixar temporariamente o Palácio Iguaçu para assumir papel mais ostensivo na campanha, o governador passa a colocar seu próprio capital político na vitrine. Mais do que pedir votos, terá de apresentar Sandro Alex ao Paraná e convencer uma parcela ainda distante do eleitorado de que seu candidato é a continuidade de seu governo.
A missão, portanto, é simples de explicar e difícil de executar: acordar o eleitor adormecido antes que a urna toque o despertador.


