Curitiba foi escolhida para receber o Congresso Brasileiro de Arquitetos (CBA) em 2029, após mais de 30 anos da última edição no Estado do Paraná. O retorno do CBA para Curitiba, uma das grandes novidades do ano no cenário paranaense, é fruto do trabalho do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Paraná (IAB/PR), com comando do arquiteto Eduardo Bini.
A edição mais recente do CBA aconteceu no último mês de agosto, entre os dias 11 e 14, em Fortaleza (CE), e reuniu mais de 5 mil arquitetos e urbanistas. “Considerado o principal encontro nacional do setor, o congresso reúne profissionais para discutir arquitetura, urbanismo, exercício profissional e os desafios das cidades”, destaca Bini. Curitiba recebeu o evento pela última vez em 1997, na Ópera de Arame, com a participação de nomes como Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Ruy Ohtake, Miguel Pereira e João Filgueiras Lima, o Lelé.
Para Bini, o retorno representa também uma oportunidade de recuperar o protagonismo do Paraná no debate nacional. “A escola técnica paulista, com o brutalismo de Paulo Mendes da Rocha, segue com sua vertente bem-posicionada no cenário nacional, assim como a escola de Belas Artes carioca, com a expressão e a plástica de Oscar Niemeyer. Em algum momento, o Estado do Paraná se distanciou desse debate. O discurso do bom planejamento urbano foi adotado pela classe política e, de certa maneira, os arquitetos se distanciaram das tomadas de decisões”, comenta.
Segundo o arquiteto, a proposta para o CBA de 2029 é justamente recolocar essas discussões no centro da atuação profissional. “Com o próximo CBA, pretendemos resgatar esses aspectos do bom planejamento urbano e da boa arquitetura, tão latentes no nosso dia a dia. Nossa intenção é reinserir esse debate dentro do campo da arquitetura e do urbanismo. Precisamos de arquitetos participando, debatendo sobre isso, para que a produção de arquitetura do Paraná volte a transbordar para o cenário nacional e para que os arquitetos voltem a ocupar os espaços de tomada de decisão”, explica Bini.
A organização do congresso será estruturada a partir da formação de um Comitê Científico e de um Comitê Organizador, que terão a responsabilidade de definir a programação e desenvolver parcerias institucionais e acadêmicas. O tema oficial ainda será definido, mas Bini defende uma abordagem que vá além das características de uma única cidade e discuta o exercício profissional diante das transformações sociais e urbanas.
A defesa de uma atuação mais ampla acompanha a trajetória de Bini, que mantém escritório próprio, trabalha com viabilização de empreendimentos e projetos e, também, possui experiência acadêmica e institucional. À frente do IAB/PR, buscou ampliar a presença da entidade em discussões relacionadas ao desenvolvimento das cidades e à participação dos arquitetos nos processos de decisão. “É muito significativo ver Curitiba novamente no circuito desse evento. Tivemos a oportunidade de trabalhar uma arquitetura pensada para além da atuação individual, em uma perspectiva institucional e coletiva. Agora existe a responsabilidade de construir uma edição à altura da história do congresso e, principalmente, de fortalecer novamente a presença do Paraná nesse debate”, completa Bini.


