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Candidatos vendem terrenos na Lula com vista para Copacabana

A temporada de promessas do segundo turno coloca crédito, corte de gastos e embates institucionais na vitrine eleitoral. Terrenos na Lua

Se promessa de campanha fosse escritura registrada em cartório, o brasileiro já seria proprietário de um terreno na Lua, com vista privilegiada para Copacabana, financiamento a perder de vista e prestações pagas pelo contribuinte. Bastou começar o segundo turno da eleição presidencial para que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) abrissem suas vitrines de compromissos. O problema é que, entre o discurso de palanque e a assinatura no Diário Oficial, existe uma distância que nem foguete espacial consegue encurtar.

Lula volta suas atenções aos pequenos e médios empresários, uma parcela importante da economia brasileira, anunciando novas linhas de crédito e medidas destinadas a reduzir o endividamento dos empreendedores. A intenção é transformar promessas em decretos e projetos legislativos. Mas há uma pergunta que não pode ficar escondida debaixo do tapete eleitoral: de onde sairão os recursos e quais serão as condições reais desses financiamentos?

A tesoura de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta a tesoura como instrumento de governo. Promete cortar pelo menos dez ministérios, reduzir cargos comissionados, enxugar despesas administrativas e enfrentar os chamados supersalários do funcionalismo público. A proposta pode render manchetes, mas exige algo que os palanques nem sempre oferecem: números, prazos e explicações sobre os serviços públicos que seriam afetados.

No campo institucional, Flávio também coloca o Supremo Tribunal Federal no centro do debate, defendendo uma atuação mais incisiva do Senado, inclusive em relação a eventual processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. É preciso lembrar, entretanto, que impeachment de ministro do Supremo não se resolve por vontade presidencial. Existem competências constitucionais, procedimentos legais e decisões que cabem ao Senado.

Prometer, é da política. O duro é fechar a conta

Enquanto isso, Lula procura recuperar o interesse dos microempreendedores com a proposta de ampliação do teto de faturamento do MEI, atualmente fixado em R$ 81 mil anuais. O projeto mencionado eleva esse limite para R$ 130 mil e permite a contratação de até dois empregados. Trata-se de uma discussão concreta, que depende de tramitação legislativa e avaliação de seus impactos.

O eleitor, portanto, tem diante de si duas agendas distintas, mas uma obrigação comum aos candidatos: explicar como transformar compromissos em políticas públicas.

Porque prometer cabe em qualquer palanque. Difícil é fazer a conta fechar depois que as urnas são recolhidas. E, até segunda ordem, os terrenos na Lua continuam sem matrícula, sem escritura e, principalmente, sem a prometida vista para Copacabana.

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