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Dia Mundial da Alimentação: Indústria aposta em tecnologia para produzir mais e melhor

Setor que concentra 36% do PIB industrial do estado mostra como automação ajuda a enfrentar a escassez de mão de obra qualificada

A força do setor pode ser medida pelos números: alimentos e bebidas respondem por 35,8% do PIB industrial paranaense (Fotos: Gelson Bampi)

1Presente diariamente na mesa dos paranaenses e responsável por uma das principais cadeias produtivas do estado, a indústria de alimentos e bebidas vem ampliando o uso de tecnologia, automação e inovação para aumentar a produtividade, aperfeiçoar processos e responder a um dos desafios enfrentados pelo setor produtivo: a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada para determinadas atividades. O movimento ganha destaque neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, data que também chama atenção para a dimensão econômica e social de uma atividade que conecta o campo, a indústria e milhões de consumidores.
 

A força do setor pode ser medida pelos números. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), levantados pelo Núcleo de Assessoria Econômica da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), mostram que, em 2025, a atividade concentrava 5.985 estabelecimentos no estado. E até agosto deste ano, aproximadamente 265,9 mil trabalhadores estavam empregados no setor, conforme o Novo Caged. Em 2024 (dado mais recente), alimentos e bebidas responderam por 35,8% do PIB industrial paranaense, de acordo com dados do IBGE.


A presença internacional também é expressiva. Em 2025, as exportações deste segmento ultrapassaram US$ 8,6 bilhões, segundo o Comex Stat. O desempenho traduz a capacidade da indústria de transformar a matéria-prima produzida no Paraná, agregar valor e colocar alimentos paranaenses nos mercados brasileiro e internacional.
 

Para o coordenador do Conselho Setorial de Alimentos e Bebidas da Fiep, Daniel Kummel, o avanço tecnológico é parte fundamental desse processo de fortalecimento da atividade. “A indústria de alimentos tem uma participação muito relevante na economia do Paraná e, para continuar crescendo de forma competitiva, precisa investir permanentemente em produtividade. Automação, digitalização e inovação permitem aprimorar processos, reduzir perdas, ampliar a qualidade e produzir mais, ao mesmo tempo em que transformam o perfil dos profissionais demandados pelas empresas”, afirma.
 

Dentro das fábricas, a tecnologia está presente em diferentes etapas da produção. Processos de seleção e preparação de matérias-primas, processamento, controle de temperatura, envase, embalagem, inspeção de qualidade, armazenamento e movimentação interna podem incorporar equipamentos automatizados, sensores e sistemas de monitoramento. A digitalização também permite acompanhar indicadores de produção e ampliar o controle dos processos.
 

Essa modernização ganha importância diante de um cenário em que empresas de diferentes segmentos encontram dificuldades para contratar profissionais qualificados. A automação ajuda a suprir parte dessas necessidades, especialmente em atividades repetitivas ou que exigem maior precisão, mas também cria novas demandas por trabalhadores preparados para operar, supervisionar e realizar a manutenção de equipamentos e sistemas cada vez mais sofisticados.
 

“Quando a indústria investe em tecnologia, ela não está apenas modernizando uma linha de produção. Está criando condições para ser mais eficiente, competitiva e sustentável. Ao mesmo tempo, surgem novas funções e aumenta a necessidade de qualificação profissional. Tecnologia e pessoas precisam avançar juntas para que o setor aproveite todo o seu potencial”, acrescenta Kummel.
 

Uma cadeia que começa antes da fábrica


A relevância da indústria de alimentos também está na sua capacidade de movimentar uma ampla rede de atividades. Entre a produção da matéria-prima e o produto que chega ao consumidor estão fornecedores de máquinas e equipamentos, embalagens, energia, logística, tecnologia, serviços e distribuição.
 

Nesse processo, a indústria exerce papel fundamental ao transformar a vocação agropecuária do Paraná em produtos de maior valor agregado. Carnes, peixes, grãos, leite e outras matérias-primas passam por diferentes processos industriais antes de chegar aos mercados brasileiro e internacional, ampliando a geração de renda e oportunidades ao longo da cadeia.
 

A diversidade do setor vai além dos produtos mais facilmente associados à alimentação humana. Um exemplo é a alimentação animal, atividade estratégica que abastece desde o mercado de pets até a produção pecuária. O segmento participa de uma cadeia diretamente relacionada à força do agronegócio e da produção de proteínas animais no estado.
 

Outro mercado que vem ganhando espaço é o de alimentos funcionais, impulsionado pela busca dos consumidores por produtos associados a saúde, bem-estar, praticidade e qualidade. São exemplos de como mudanças nos hábitos de consumo também estimulam empresas a desenvolver novos produtos, processos e soluções.
 

Para o Conselho Setorial de Alimentos e Bebidas da Fiep, essa variedade reforça a necessidade de olhar para a atividade de forma ampla. “Quando falamos em indústria de alimentos, estamos falando de uma cadeia muito diversa, que está presente na rotina das pessoas e, ao mesmo tempo, tem enorme impacto econômico. É uma indústria que valoriza as origens do Paraná, transforma matérias-primas, gera empregos, incorpora tecnologia e leva produtos do estado para consumidores no Brasil e no mundo”, destaca o coordenador do Conselho.
 

No Dia Mundial da Alimentação, os números e as transformações do setor ajudam a mostrar o caminho percorrido antes de cada produto chegar à mesa. Por trás dos alimentos consumidos diariamente existe uma cadeia industrial que combina trabalho, tecnologia, inovação e capacidade produtiva para transformar o potencial do Paraná em desenvolvimento econômico e social.
 

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