A forma como consumidores pesquisam empresas na internet está mudando, e negócios no Paraná começam a se movimentar para não ficar de fora dessa transição. Além do tradicional Google, ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity vêm sendo cada vez mais usadas para pedir recomendações diretas — “qual a melhor agência de marketing em Curitiba” ou “indique uma clínica popular na região”, por exemplo — sem que o usuário nem chegue a abrir um site de busca tradicional.
Esse movimento tem dado força a uma disciplina ainda pouco conhecida fora do meio digital: o GEO, ou Generative Engine Optimization, otimização para mecanismos de IA generativa. Diferentemente do SEO tradicional, focado em posicionar páginas nos resultados do Google, o GEO trabalha para que uma empresa seja efetivamente citada e recomendada quando alguém faz uma pergunta a uma inteligência artificial — o que envolve dados estruturados, autoridade digital e conteúdo pensado para ser “entendido” por esses sistemas, não apenas lido por humanos.
Na prática, isso muda o tipo de trabalho feito por agências de marketing digital. Em vez de otimizar apenas para palavras-chave e links, o foco passa a incluir consistência de informações em diferentes plataformas, conteúdo que responda diretamente a perguntas frequentes dos clientes e presença ativa em fontes que as próprias IAs costumam consultar para formar suas respostas, como avaliações, diretórios e notícias.
No Paraná, agências especializadas já relatam aumento na procura por esse tipo de serviço, especialmente entre empresas locais que dependem de indicação e busca de proximidade — clínicas, escritórios de advocacia, imobiliárias e prestadores de serviço em geral, setores em que a decisão de compra costuma passar por uma recomendação de confiança, seja de uma pessoa, seja agora de uma inteligência artificial.
É o caso da RTAG, agência de SEO e GEO que passou a atender negócios em diferentes cidades do país nos últimos meses, unindo o trabalho tradicional de posicionamento no Google à preparação de conteúdo para ser compreendido por ferramentas de IA generativa.
Segundo especialistas do setor, o principal erro de quem ainda não olhou para essa mudança é tratar a presença digital apenas como “estar no Google”. Com a popularização das buscas por IA, empresas que não têm informações claras, atualizadas e estruturadas sobre seus serviços correm o risco de simplesmente não aparecerem quando um cliente em potencial pergunta a um assistente de inteligência artificial — mesmo tendo um bom site e uma boa reputação.
Para pequenas e médias empresas, a recomendação de consultores é começar pelo básico: manter informações consistentes em todos os canais (nome, endereço, telefone, horário de funcionamento), produzir conteúdo que responda diretamente às dúvidas mais comuns dos clientes e acompanhar como a marca aparece — ou deixa de aparecer — quando alguém pergunta sobre o setor a uma ferramenta de IA. A avaliação geral é que o movimento ainda está no começo, mas tende a se intensificar rapidamente.
Um efeito colateral desse novo cenário, segundo consultores de marketing digital ouvidos pela reportagem, é a valorização de conteúdo genuinamente útil em detrimento de textos produzidos apenas para “enganar” mecanismos de busca. Como as ferramentas de IA generativa buscam sintetizar respostas confiáveis, conteúdo raso ou repetitivo tende a ser preterido em favor de páginas que realmente respondem, de forma clara, à dúvida do usuário.
Empresários paranaenses que já testaram ajustes nessa direção relatam um processo gradual: primeiro é preciso auditar todas as informações públicas do negócio, depois padronizar dados em diretórios e redes sociais, e só então investir em conteúdo novo — pular direto para a produção de conteúdo sem essa base, segundo especialistas, costuma gerar resultado limitado.
Assim como aconteceu com o SEO há duas décadas, o GEO ainda carece de métricas totalmente consolidadas, o que exige das agências um acompanhamento mais próximo e manual do desempenho de cada cliente nas principais ferramentas de IA — um trabalho que tende a se automatizar com o tempo, à medida que o mercado amadurece essa nova disciplina.


