Candidato do PL mostra firmeza em posições e projetos, mas também irritação em temas sensíveis, como armas, 8 de janeiro e “Dark Horse”.
Flávio Bolsonaro (PL) foi o entrevistado da noite de sexta-feira (16) na extensão do Jornal Nacional, fechando assim a sabatina da Rede Globo de segundo turno com os candidatos à Presidência da República, aberta na véspera com Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em ambas, a jornalista Renata Lo Prete foi a entrevistadora e que fez questionamentos firmes sobre posições do candidato, fatos e planos de governo. Agora, a expectativa se volta aos debates da Band, marcado para este domingo, a partir das 20h, e da Globo, na sexta-feira (23), após o Jornal Nacional, confrontos que podem determinar o desfecho das eleições de 2026.
Na entrevista desta sexta, Flávio Bolsonaro demonstrou um início de tranquilidade e aparentando estar bem treinado. Ao longo dos questionamentos, mesmo com sinais de irritação com certos temas, Flávio demonstrou que estava familiarizado com a cartilha de grandes mestres da embromação em falas políticas, como Paulo Maluf e o próprio Lula. A tática de emendar mensagens próprias de cooptação eleitoral à margem das perguntas. Advogado e senador, Flávio demonstra, aos 45 anos, estar afiado para o debate direto com Lula, que tem no currículo uma série de candidaturas desde 1989 e estando prestes a completar o terceiro mandato. A poucos dias de completar 81 anos, o presidente será desafiado a comprovar a plena capacidade cognitiva para eventual quarto mandato.
Transmitida diretamente dos Estúdios Globo, no Rio, e como parte integrante da cobertura do segundo turno das Eleições 2026, a entrevista foi exibida pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1. A íntegra pode ser conferida AQUI.
O candidato do PL garantiu a continuidade dos projetos sociais em curso e também a manutenção da escala 6×1, aprovada pelo Congresso esta semana. Sustentou que “todos os direitos trabalhistas estão garantidos. Cada um pode ter a sua opinião individual, mas de minha parte isso aqui está respeitado. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso”.
Defendeu o mandato único e disse que, se o parlamento não aprovar a extensão para cinco anos, não buscará a reeleição. Afirmou que não está “no radar” encaixar seu pai, Jair Bolsonaro, em um cargo no governo, caso seja eleito, e descartou a possibilidade de o irmão, Eduardo, que está nos Estados Unidos, ser nomeado chanceler.
Durante a entrevista, não perdeu a oportunidade de, em todos os momentos possíveis, fazer críticas ao atual governo e suas medidas eleitoreiras em plena reta de campanha, como o aumento do bolsa família, em que Lula acabou “escorregando” na véspera, ao dizer que “não sabia” que o valor estava congelado havia mais de três anos e meio.
Sobre a reforma do Judiciário, defendeu a recuperação da credibilidade e citou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem acusou de interferir em diferentes assuntos e perseguir adversários políticos. “Do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, disse. E complementou: “Os amigos do Lula no STF se protegendo para que investigações não avancem sobre eles, isso é o que não dá mais. Eles acabaram com a credibilidade do Poder Judiciário.”
Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, daria liberdade a seu ministro da Saúde para tomar as medidas necessárias em uma emergência de saúde pública. A questão veio no contexto da indicação do médico Cláudio Lottenberg como ministro da área em um eventual governo. Ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Lottenberg criticou, durante a pandemia, a demora de Jair Bolsonaro para comprar vacinas contra a Covid-19. Sobre a autonomia médica a ser conferida a ele, caso seja o ministro, disse: “Com certeza. Inclusive, na minha conversa com ele, quando fiz esse convite, foi exatamente: ‘vamos olhar para a frente’”. Flávio disse que, se eleito, pretende levar ao SUS práticas do Hospital Albert Einstein, ampliar o acesso à telemedicina e criar um prontuário único eletrônico para conectar informações das redes municipais, estaduais, federal e privada.
Considerações finais
Nas considerações finais, o candidato agradeceu o apoio que tem recebido em seus atos de campanha, criticou Lula e disse ter três compromissos com o eleitor: não prometer o que não pode cumprir, “arrumar a economia” e “devolver a segurança” ao cidadão.
“Muitas pessoas vêm dizendo para mim: ‘Flávio, o Lula está mentindo para caramba, prometendo um monte de coisa que ele sabe que não vai entregar. Você tem que fazer isso também. Você tem que prometer uma picanha’. Eu, não. Eu vou trabalhar com a verdade, eu não vou ser igual a esse cara. Agora, eu quero fazer três compromissos com você. O primeiro: eu nunca vou prometer aquilo que eu não vou poder cumprir e entregar. O segundo: eu vou arrumar essa economia, eu vou devolver o seu poder de compra, você vai ter dinheiro no bolso de novo. E o terceiro: eu vou me dedicar com todas as forças para devolver a segurança para você, para mim, para a Renata, para todos nós andarmos nas ruas em segurança novamente.”
Os principais temas abordados:
- Ajuste fiscal: propôs cortar ao menos dez ministérios, vender imóveis públicos e combater a corrupção para equilibrar as contas do governo.
- Salário mínimo e aposentadorias: prometeu manter o aumento real do salário mínimo, acima da inflação, e disse que não vai desvincular o reajuste das aposentadorias do SM, nem eliminar o piso de investimento em saúde e educação.
- Reforma do Judiciário: defendeu o impeachment de Alexandre de Moraes por suposta atuação político-partidária. Disse que Kassio Nunes Marques deve ser investigado por suspeitas de ligação com o escândalo do Banco Master.
- Maioridade penal: candidato voltou a defender redução da idade para responsabilização de crimes e criticou gestão atual pela conduta frente propostas de lei.
- Reeleição presidencial: disse querer exercer apenas um mandato, mas deixou em aberto a duração desse mandato. Rejeitou mudanças que favoreçam candidaturas de familiares.
- Filme “Dark Horse”: foi perguntado sobre por que recorreu a Daniel Vorcaro e por que pediu R$ 134 milhões se o filme custou R$ 75 milhões. Na resposta, disse que conversou com vários investidores e que o ex-dono do Banco Master “topou fazer”, e que “o contrato não foi cumprido”.
- Aliados investigados no Rio: disse ter ficado surpreso com investigações e prisões de aliados suspeitos de ligação com o tráfico e a milícia no Rio de Janeiro.
- Atos de 8 de Janeiro: questionou a caracterização dos atos como tentativa de golpe de Estado e defendeu punições proporcionais aos crimes.
- Interferência na Polícia Federal: negou que o pai tenha promovido mudanças na PF para blindar familiares e citou que Lula, em seu governo, trocou os superintendentes de todos os estados.
- Segurança pública e armas: defendeu ampliar o acesso da população a armas e criticou o Estatuto do Desarmamento. Desconversou quando questionado mais de uma vez por Renata sobre projeto em que defendeu o fim das digitais nos projeteis de armas de fogo.
- Forças Armadas: prometeu mobilizar militares e polícias estaduais para combater o narcotráfico, reforçando as ações nas fronteiras e portos. Garantiu ainda investir contra o sucateamento a que se chegou.
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