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Brasil está entre os países que mais adotam criptomoedas e lidera ranking global em 2026

Levantamento da Chainalysis coloca o país na primeira posição em adoção; dados da Receita Federal mostram protagonismo das stablecoins no mercado brasileiro

O Brasil consolidou sua presença entre os principais mercados de criptomoedas do mundo e alcançou a primeira posição no Índice Global de Adoção de Criptomoedas de 2026, elaborado pela Chainalysis. Publicado em setembro, o levantamento coloca o país à frente de Estados Unidos e Nigéria e dimensiona a economia cripto brasileira em US$ 252,5 bilhões no período de julho de 2025 a junho de 2026.

O resultado sucede a quinta colocação registrada pelo Brasil na edição de 2025. A comparação, entretanto, exige uma ressalva: a Chainalysis reformulou a metodologia em 2026. O novo índice considera fluxos de serviços, transações domésticas entre pessoas, transferências internacionais e saldos mantidos em blockchain. Portanto, a mudança de posição não deve ser interpretada isoladamente como uma medida de crescimento do mercado.

Na edição atual, o Brasil aparece em segundo lugar nos fluxos internacionais, terceiro nos fluxos de serviços e nas operações domésticas entre pessoas, e quarto nos saldos em blockchain. A classificação reúne diferentes dimensões da adoção e não corresponde a uma contagem de investidores ou ao percentual da população que possui criptomoedas.

Para Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, a expansão precisa ser analisada também pelas aplicações dos ativos digitais. “O Brasil já ocupa uma posição de destaque no cenário global da criptoeconomia, mas os números mostram que o mercado está amadurecendo muito além da especulação. O crescimento das stablecoins revela uma demanda crescente por soluções voltadas a pagamentos, proteção cambial e transferências internacionais”, afirma.

As stablecoins ajudam a compreender essa transformação. São criptoativos que buscam manter seu valor vinculado a uma referência, como o dólar ou o real, aproximando o ambiente blockchain de operações denominadas em moedas tradicionais.

Segundo a Receita Federal, aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda dos principais criptoativos foi declarado entre agosto de 2019 e dezembro de 2025. Desse total, cerca de R$ 1,13 trilhão, equivalente a 71,7%, correspondeu a stablecoins. Em 2025, esses ativos representaram aproximadamente 80% do volume declarado.

A concentração também aparece na composição desse mercado. A Tether, emissora do USDT, respondeu por 88,7% do volume declarado em stablecoins no período analisado pela Receita. Na sequência, ficaram a USD Coin, com 7,1%, e a Brazilian Digital Token, vinculada ao real, com 3,4%. Os números retratam as operações informadas ao órgão e não devem ser confundidos com o patrimônio dos brasileiros nesses ativos.

O avanço amplia a importância de compreender as diferenças entre os produtos disponíveis. A exposição a uma stablecoin referenciada em dólar, por exemplo, envolve uma relação cambial distinta da compra de Bitcoin. Também exige avaliar o emissor, os mecanismos de manutenção da paridade, as condições de resgate, os custos e a estrutura da plataforma utilizada.

A educação financeira é um dos pontos centrais dessa discussão. Para Pereira, ampliar o acesso à tecnologia precisa vir acompanhado de informação que permita ao usuário interpretar oportunidades e limitações. “A criptoeconomia tem potencial para democratizar o acesso aos serviços financeiros, mas inclusão não significa apenas disponibilizar tecnologia. É preciso garantir que as pessoas compreendam os riscos, saibam utilizar essas ferramentas com segurança e tenham acesso a informações claras para tomar decisões conscientes”, destaca.

A confiança nas empresas que oferecem esses serviços também integra o debate. Pedro Torres, head jurídico da OnilX, ressalta a importância de critérios verificáveis para avaliar os participantes do mercado. “A confiança não decorre da simples existência da norma, mas da transformação de princípios em obrigações objetivas, verificáveis e sujeitas à fiscalização”, afirma Torres.

A posição brasileira no cenário internacional amplia a relevância dessa combinação entre adoção, transparência e conhecimento. Para quem ingressa no setor, compreender a finalidade de cada ativo, as responsabilidades das plataformas e os riscos das operações é parte essencial do processo.

“A regulamentação é um passo importante para fortalecer a confiança no mercado, mas ela não substitui o conhecimento do investidor. Entender como funcionam os ativos digitais, conhecer os riscos envolvidos e adotar boas práticas de segurança continuam sendo fatores indispensáveis para que a criptoeconomia contribua efetivamente para uma inclusão financeira sustentável”, conclui Pereira.

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