As mal traçadas linhas da carta de Flávio Bolsonaro dirigida a seus eleitores continuam repercutindo negativamente entre integrantes da cúpula de seu partido e em setores menos radicais da direita. O documento também provocou reação da Justiça Eleitoral ao colocar em dúvida a lisura do processo eleitoral. Até mesmo aliados, como Tarcísio de Freitas e Valdemar Costa Neto, manifestaram-se em defesa do resultado do segundo turno, que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na carta, Flávio não reconhece a derrota eleitoral e alega ter havido “fraude”, mas não apresenta provas de irregularidades no processo. Na primeira versão do texto, chegou a se declarar “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou a publicação e divulgou uma nova versão, sem a frase, na qual se apresentava como “líder” do país. Em resposta às acusações, a Justiça Eleitoral informou que qualquer pessoa pode baixar os arquivos das urnas eletrônicas e auditar os resultados.
Segundo a Justiça Eleitoral, os Boletins de Urna, o Registro Digital do Voto e os registros de funcionamento de cada equipamento estão disponíveis ao público. Os arquivos contêm informações sobre a operação das urnas, como os horários de início e encerramento da votação e o número de eleitoras e eleitores que compareceram para votar.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, também se pronunciou. Em nota, afirmou que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”. O ministro destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a “vontade soberana do eleitorado” e ressaltou que o resultado foi apurado e divulgado com segurança.
Os manifestos
Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi um dos primeiros a se manifestar. Em nota, afirmou que a oposição deve respeitar o resultado das eleições e atuar dentro das instituições democráticas. O governador disse compreender a indignação de Flávio Bolsonaro e destacou que esse sentimento é compartilhado por parte dos brasileiros.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.
Para Tarcísio, o momento exige “responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte”. Ele também defendeu que a atuação dos oposicionistas ocorra dentro das instituições, de modo a fortalecer o sistema de freios e contrapesos da democracia.
Sem provas
Outro a discordar do teor da carta foi Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio e líder da oposição no Senado. Ele afirmou que não é possível sustentar, sem provas, que as eleições tenham sido fraudadas.
Após a divulgação da carta, o União Brasil, que havia apoiado Flávio no segundo turno, também publicou uma nota na qual reconheceu que o processo eleitoral “transcorreu com lisura” e que seu resultado deve ser respeitado.
A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), já havia se posicionado pelo reconhecimento do resultado eleitoral. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, afirmou que “a soberania


