Edson Vasconcelos defende Ferrovia Assunção a Paranaguá para o fortalecimento da infraestrutura e logística paranaense que resultaria em industrialização do etanol e exportação por Paranaguá.
Enquanto o governador eleito, Sergio Moro (PL), mantém o confronto político com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes de seu governo, uma questão começa a ganhar importância: até onde as divergências ideológicas poderão interferir nas relações institucionais entre o Palácio Iguaçu e o Palácio do Planalto?
O Paraná não pode pagar a conta de uma disputa política que deveria ter terminado com o fechamento das urnas. E há uma pergunta que merece ser feita desde já: quando os interesses do Paraná exigirem uma conversa com Brasília, prevalecerá a rivalidade eleitoral ou a responsabilidade institucional?
Uma guerrinha que não ajudará o Paraná
Embora Lula tenha reafirmado que governará para todos os estados, sem distinção ou ideologias partidárias, há um confronto pessoal entre ele e Moro. E Moro, como governador, a continuar com sua guerrinha particular, não terá um caminho fácil a percorrer.
Mas há um interlocutor capacitado para assumir o diálogo pelo menos na parte de infraestrutura para manter o Estado nos trilhos do desenvolvimento e na busca de se manter como a quarta economia do País: Edson Vasconcelos.
O nome do vice-governador e presidente da Fiep, um dos pilares do setor produtivo paranaense, dentro da pirâmide do G7, tem sido lembrado por um pequeno grupo de “pensadores paranaenses” desincompatibilizados da política partidária, mas com a bandeira paranaense nas mãos, que vem se reunindo e desenhando um futuro econômico próspero para o Estado. E isto passada pela infraestrutura e logística, além da produção, industrialização e exportação.

“Somos favoráveis à modernização da ferrovia e à nova licitação, mas entendemos que os recursos gerados pelos usuários paranaenses precisam retornar em investimentos para o próprio Paraná. Não é razoável que a região responsável pela maior parte da movimentação de cargas financie gargalos de outras malhas enquanto seus próprios problemas permanecem sem solução”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Como pensa o grupo de paranistas
“O Paraná não pode ficar apenas concentrado na plantação de soja, milho e outros produtos, que vai ficar pobre. Tem que partir para investimentos no setor ferroviário e ampliar a industrialização do Etanol que comandará os destinos do mundo em breve”, nos conta um dos integrantes do grupo que vê, nas intenções de Vasconcelos em defender a ferrovia Oeste a Paranaguá, um sinal futurista de gestor público. A proposta é especialmente importante para municípios como Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Guaíra e outras regiões produtoras do Oeste, que dependem bastante do transporte rodoviário para chegar ao litoral.
Vasconcelos, que foi por muitos anos do conselho da Ferroeste, tem afirmado que é preciso dar amplitude ao porto e desenhar um novo traçado para a ferrovia que sofre com a morosidade no transporte. E aumenta o tom em reuniões de infraestrutura dos transportes e logística: “quem embarca, levante a mão. Quem não embarca não tem condições de falar sobre o setor”.
No desenho deste seleto grupo incorpora, também, o interesse do presidente Lula em integrar a América Latina. Por isso, a “nova ferrovia” deve se estender de Cascavel a Assunção e a Paranaguá. Em relação à participação do Paraguai no empreendimento, a Itaipu Binacional poderia ser a parceira em financiamento.
Entre as demandas que existem e que dependem do Governo Federal, as ferrovias se colocam como prioridade, justamente no momento em que a Concessão da Malha Sul, hoje sob a responsabilidade da Rumo se encerra no início do próximo ano e o novo contrato – licitação – será definido muito em breve.
Seria o momento dos novos governos estadual e federal convergirem as melhores condições técnicas e econômicas para definir investimentos da ferrovia que liga Cascavel ao Porto de Paranaguá.
Todos os estudos técnicos mostram a necessidade de integrar a Ferroeste à Malha Sul, com as devidas correções de traçado que precisam ser construídas no segmento entre Cascavel e Guarapuava, visando o aumento da velocidade dos trens que circulam por essa via.
Fundamental a correção total do segmento Guarapuava ao Desvio Ribas próximo à Ponta Grossa. Já existem estudos de um novo traçado entre Guarapuava e a Lapa, resolvendo o problema histórico da descida da Serra da Esperança. Hoje, os trens precisam percorrer esse traçado em velocidade mínima, em virtude da precariedade existente.
E, por que não colocar na mesa de discussão, a retomada da obra paralisada ainda na década de 1970 e que seria a nova rota para a descida da serra do mar entre Curitiba e Paranaguá, criando uma alternativa para a nossa ferrovia centenária construída pelos irmãos Rebouças?
O projeto Nova Ferroeste
Maior projeto do País, Nova Ferroeste ligará MS a 2º maior porto. Seria ampliada para atender as exportações do Porto de Paranaguá. A proposta prevê uma ligação ferroviária de aproximadamente 1.300 km, partindo de Maracaju, no Mato Grosso do Sul, passando pelo Oeste e pelo interior do Paraná, até chegar ao Porto de Paranaguá.
A ideia é aproveitar e ampliar a estrutura ferroviária existente, construindo novos trechos para conectar as regiões produtoras aos terminais portuários.

Qual seria o trajeto?
O projeto divulgado pelo Governo do Paraná contempla os seguintes trechos:
Maracaju (MS) – Dourados – Guaíra – Cascavel: conexão do Mato Grosso do Sul com o Oeste paranaense.
Cascavel – Guarapuava: recuperação e modernização da ferrovia já existente.
Guarapuava – Paranaguá: construção de uma nova ligação até o litoral.
Cascavel – Foz do Iguaçu: ramal ferroviário adicional.
Cascavel – Chapecó (SC): outra conexão prevista.
O projeto completo divulgado pela Ferroeste contempla aproximadamente 1.567 km de trilhos, considerando os ramais e a modernização da linha existente. (Fontes de pesquisas: Ferroeste – informações oficiais sobre a Nova Ferroeste : traçado, municípios, investimentos e concessão. Governo do Paraná – estudos de viabilidade (EVTEA-J) : documentação técnica do empreendimento) .

O etanol, futuro do Paraná
O grupo de pensadores destaca no conjunto a obra de infraestrutura e logística para o Paraná, a produção de etanol que tem importância estratégica para o Brasil. Ela vai muito além de abastecer automóveis: representa geração de energia renovável, desenvolvimento industrial, fortalecimento do agronegócio, geração de empregos e redução da dependência de combustíveis fósseis. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de etanol e possui uma experiência de décadas na produção e utilização desse biocombustível.
A expansão da produção de etanol pode transformar a economia regional, principalmente em regiões com forte produção de milho, como o Oeste paranaense.

Uma indústria de etanol de milho instalada nessa região poderia proporcionar:
Agregação de valor ao milho produzido pelos agricultores.
Geração de empregos industriais e oportunidades de negócios.
Produção de DDGS para atender à pecuária, suinocultura e avicultura.
Maior integração entre agricultura, cooperativas e agroindústrias.
Aumento da demanda por transporte ferroviário e rodoviário.
Conexão com a ferrovia
Existe uma conexão importante com a Nova Ferroeste: a ferrovia poderia facilitar o transporte de milho, insumos industriais, combustíveis e coprodutos, além de melhorar o acesso aos mercados consumidores e portuários.
O etanol pode ser uma oportunidade estratégica para o Paraná


