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Estradas sem conservações impactam no escoamento da produção agrícola, alerta presidente da Faep

“As estradas rurais são o primeiro elo da cadeia logística do agro. Tanta chuva, sem um plano, preocupa”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, 

Com a proximidade da safra de verão a, partir do início do próximo ano, o Paraná vai precisar, mais intensamente, das estradas para escoar a produção. Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o momento exige que o debate sobre o investimento na malha rodoviária do Estado volte à pauta, para garantir a circulação de insumos, máquinas, equipamentos e trabalhadores, além dos alimentos destinados aos mercados consumidores e aos corredores de exportação.

“As estradas rurais são o primeiro elo da cadeia logística do agro. Quando uma vicinal fica intransitável, não é só a soja ou o frango que deixam de sair. O ônibus escolar não passa, o cidadão não chega ao posto de saúde, o trabalhador não chega à propriedade”, comenta. Por isso, segundo o dirigente, é preciso dar atenção às estradas vicinais e terciárias, bem como a algumas rodovias estaduais, as PRs, essenciais para a movimentação no meio rural. “Tanta chuva, sem um plano, preocupa”, completa.

Do aviário rumo à indústria

As reivindicações são de produtores rurais que precisam transportar os produtos do campo aos centros consumidores e ao Porto de Paranaguá.

“Quando o frango completa 40 dias, precisa sair do aviário rumo à indústria, faça chuva ou sol, conta o avicultor Adailson Xavier, de Paranavaí, no Noroeste do Estado. Com dois aviários de 40 mil aves cada, o pecuarista movimenta quase meio milhão de animais por ano, em seis lotes. “Se um caminhão atola, o frango morre no transporte ou há atraso no abate, é prejuízo que vem para o nosso bolso”, lamenta.

A localização da propriedade de Xavier exige que o caminho percorra trechos de terra de até 20 quilômetros. Por essa estrada também passam a ração, o técnico e o ônibus escolar para atender a região.

Na pendência do poder público

“Tem problema para todo lado. A gente fica na de pendência da prefeitura”, destaca, relembrando que um vizinho, desde que uma ponte caiu na região, há mais de um ano, precisa rodar 20 quilômetros até a cidade, ao invés de sete se a estrada estivesse em condições adequadas.

Do outro lado, a prefeitura também está no limite. O secretário de Agricultura de Paranavaí, Tarcísio Barbosa de Souza, conta que o município tem mais de 500 quilômetros de estradas rurais, dos quais 40 estariam com problemas. A equipe trabalha em regime emergencial, priorizando o escoamento da safra e o transporte escolar. Na primeira quinzena de outubro foram montados oito pontos estratégicos com máquinas e operadores. Inclusive, no dia em que o dirigente conversou com a reportagem da revista Boletim Informativo, o maquinário da prefeitura puxava carretas de frango de duas granjas.

Faltam recursos financeiros

“Com muita chuva e barro, não tem o que fazer. A máquina não consegue trabalhar, porque se mexer, piora”, afirma o secretário municipal. “O município não consegue sozinho. Se não tiver recurso da União e do Estado, não faz. Essa ajuda tem que partir de um pro grama de governo”, desabafa.

Conforme dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), até dia 13 de outubro, choveu 285,2 ilímetros em Loanda, perto de Paranavaí, contra a média de 174,3 milímetros para todo o mês de outubro (64% a mais). Foz do Iguaçu registrou 372,4 milímetros, contra 262,2 milímetros.

Santa Helena (284,4 mm), Assis Chateaubriand (254 mm) e Telêmaco Borba (214,4 mm) também passa ram da média mensal, assim como a própria Paranavaí, com 170,8 mm.

Plano emergencial

Diante desse cenário e da situação geral das estradas no Paraná, o Sistema FAEP defende um plano emergencial para garantir o escoamento da safra e o acesso à educação e à saúde de quem trabalha no campo. Em agosto, a entidade já havia apresentado ao então candidato, agora governador eleito, Sergio Moro, quatro propostas sobre o tema: a instituição de um Programa Estadual Permanente de Estradas Rurais, com recursos contínuos e critérios técnicos de priorização; a criação de um fundo estadual específico para apoiar

os municípios na manutenção e na adequação das es tradas rurais; a implementação de um programa esta dual de substituição e modernização de pontes rurais; e o apoio à elaboração de planos municipais de logística rural. Essas medidas seriam uma forma de minimizar desafios como a conservação, drenagem, adequação de pontes e bueiros e no planejamento logístico municipal, que hoje elevam os custos de transporte, dificultam o acesso a serviços públicos e reduzem a competitividade do Estado.

Panorama das estradas

A pesquisa “Panorama das Estradas Vicinais no Brasil”, do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da  Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”(Esalq-Log) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), dimensiona o tamanho do desafio. O Paraná tem 170 mil quilômetros de estradas vicinais, a quarta maior malha do país, dos quais 16,9 mil quilômetros são de estradas terciárias. Nas regiões que o estudo define como prioritárias, o Estado tem a maior extensão do Brasil: 136,6 mil quilômetros.

Das 39 microrregiões paranaenses, 23 foram classificadas como prioritárias. A microrregião de Paranavaí, onde vive Adailson, está entre as que reúnem cinco grupos de “alta produção”: bovinos, cana, citros, frangos e suínos. Só nas estradas terciárias da microrregião, que somam 527 quilômetros, o estudo estima R$ 14,6 milhões por ano para adequação e manutenção. Para todas as estradas vicinais prioritárias (terciarias e não classificadas), seriam necessários R$ 116,44 milhões/ano para melhorias.

Problema que se arrasta

Para toda a malha vicinal prioritária do Estado, o custo anual estimado chega a R$ 2,2 bilhões, dos quais R$ 1,9 bilhão para a adequação de vias precárias. lados do asfalto. Nestes 20 anos em que o problema se arrasta, O economista e pesquisador do Esalq-Log, Everton Lima Costa, afirma que o Paraná, em geral, está em situação melhor em relação a outros Estados. “Há uma maior preocupação no Estado com as estradas vicinais do que em muitas outras unidades da federação”, diz. Apesar disso, ele ressalta que os produtores relatam problemas recorrentes. “O principal problema é a necessidade de drenagem, que não é realizada em todas as estradas.

As prefeituras costumam se limitar ao nivelamento e à remoção de buracos, e falta cascalhamento com regularidade”, explica Lima Costa, lembrando também das pontes. “Há muitas pontes de madeira que precisam de manutenção. Poderiam ser pré-moldadas, mais baratas que uma ponte de concreto arma do e mais duráveis que as de madeira.”

No país, o estudo aponta que a precariedade das vicinais gera cerca de R$ 6,4 bilhões por ano em custos operacionais. “Isso sem contar o prejuízo educacional das crianças do campo, que perdem muitos dias de aula por não conseguirem chegar às escolas em dias de chuva”, afirma o pesquisador.

Usuários de estradas

Em Maringá, o produtor de soja e milho Antônio de Souza Gomes Neto convive com o problema na Estrada do Guerra,

que alaga quando chove, pois a água que desce pela tubulação carrega entulho, entope as manilhas e acaba invadindo a pista. “Você está a mil metros de casa e tem que voltar para Maringá para descer por outra estrada”, conta.


Com assessoria de comunicação do Sistema Faep

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