Com abertura ao som da batucada das Escolas de Samba cariocas, sob a batuta do “professor” Milton Cunha, e com programação inspirada nas vocações nacionais da celebração e da diversidade, começa, nesta segunda-feira (30), a 34ª edição do Festival de Curitiba. Até o dia 12 de abril, o evento desloca o eixo da cultura nacional para a capital do Paraná e sua Região Metropolitana, com 435 atrações em teatros, espaços culturais, ruas e praças.
O primeiro ato é a aula-show “Samba: As Escolas e suas narrativas”, criada pelo carnavalesco mais carismático do país especialmente para o Festival de Curitiba, e que será apresentada na Pedreira Paulo Leminski em duas sessões: na cerimônia de abertura para convidados, no dia 30, a partir das 19h45, e, no dia seguinte, em sessão aberta ao público, a partir das 20h30. A cerimônia de abertura terá como MCs os atores Fernanda Fuchs e Diogo Verardi, que fazem sucesso com as esquetes de “Malhassaum”.
Na “aula inaugural” do evento, Cunha e dezenas de integrantes das principais agremiações do carnaval carioca – dentre os quais Mestre Ciça, baluarte homenageado no desfile campeão da Unidos do Viradouro em 2026 – vão mostrar como as escolas constroem as dramaturgias de seus enredos.
Um espetáculo que conversa especialmente com um dos eixos da curadoria da Mostra Lucia Camargo, assinada pelo trio formado pela produtora e pesquisadora Daniele Sampaio, a atriz e diretora Giovana Soar e o dramaturgo e crítico teatral Patrick Pessoa.
Neste ano, entre os 28 espetáculos selecionados para a principal vitrine do Festival, há alguns que são verdadeiras celebrações, sem perder, contudo, a preocupação com temas sociais sensíveis. A curadoria da mostra também se ocupou de escalar grupos teatrais com longas e sólidas trajetórias nacionais, como o carioca Armazém, os cearenses da Carroça de Mamulengos, os mineiros do Grupo Corpo, e o Galpão, que abre os trabalhos com o premiado “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira”, baseado no clássico de José Saramago, no dia 31 de março.
“A curadoria desta edição celebra a qualidade artística, a trajetória de grupos fundamentais para o teatro brasileiro e a riqueza de produções espalhadas pelo país”, destaca Fabíula Passini, diretora do Festival.
Interlocuções
Em paralelo com a Mostra Lucia Camargo, acontece o Interlocuções, uma série de ações formativas, encontros, debates e atividades que estimulam a reflexão, o aprendizado e a troca de ideias entre artistas, estudantes e interessados nas artes cênicas. Alguns dos principais nomes da área vão participar das atividades, sempre gratuitas.
Mostra Fringe
Criado em 1998, o Fringe segue como o grande diferencial do Festival de Curitiba. É o espaço onde as companhias de teatro, circo, música, dança e outras vertentes artísticas participam do evento por meio de cadastro voluntário, em três frentes organizadas como “Mostras”, “Espetáculos de Rua” e “Circuito Independente”.
Em 2026, o Fringe terá 248 espetáculos, com atrações vindas das cinco regiões do Brasil e também da Argentina, ocupando mais de 50 espaços cênicos de Curitiba e da Região Metropolitana, de 1º a 12 de abril.
Entre as 11 mostras programadas, destaque para a inédita mostra “São Paulo Showcase”, com apresentações gratuitas de 15 produções paulistas em linguagens variadas. E também para a terceira edição da “Rodada de Conexões”, ação que reúne curadores e programadores de festivais e salas de teatro de todo o país com companhias presentes no Fringe, além de grupos radicados em Curitiba.
Risorama
Dentro do Festival, acontece ainda o Risorama, maior evento de humor da América Latina. Com curadoria do humorista Diogo Portugal, reúne diferentes estilos de comédia em uma tradicional maratona de stand-up. Neste ano, será realizado na Pedreira Paulo Leminski, de 3 a 7 de abril. Entre os artistas confirmados estão Nany People, Bruna Louise, Whindersson Nunes e Robson Souza.
Mostra Surda
Outra tradição nascida dentro do Festival é a Mostra Surda de Teatro, criada para dar protagonismo a artistas e produtores surdos e apresentar a cultura e a expressão artística na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Neste ano, a edição acontece na Capela Santa Maria e programa estreias nacionais de peças de teatro e dança, eventos de poesia em Libras e oficinas que ampliam o diálogo entre arte, educação e acessibilidade cultural.
Mostra Guritiba
A Mostra Guritiba é núcleo específico para o público infantojuvenil dentro da programação. Em 2026, retorna ao Auditório Poty Lazzarotto, no Museu Oscar Niemeyer. Nesta edição, dois espetáculos compõem a grade, nos finais de semana do Festival: “Azul” (4 e 5 de abril) e “Da Janela” (11 e 12 de abril).
Gastronomix
O melhor de três mundos é servido no Gastronomix: música, shows artísticos e cardápio assinado por chefs de peso e renome, tudo preparado com cuidado e responsabilidade social. Nesta edição, o evento ocorrerá nos dias 11 de abril, das 11h às 21h, e 12 de abril, das 11h às 18h, na Pedreira Paulo Leminski.
A curadoria é assinada pelo chef Celso Freire, um dos principais nomes da gastronomia paranaense. Os pratos são preparados em porções especiais, com preços acessíveis que variam entre R$ 25 e R$ 35.
A programação musical, com a cantora Janine Mathias no papel de mestre de cerimônias e curadoria do produtor cultural e DJ Gil Preto, terá no palco principal Capybara Trio, Doce Delírio Acústico, Samba de Cassim, Banda Caninana, Rosa Armorial, Forró de Maravilha, Rubia Divino e Samba da Nega.
Mish Mash
Por fim, o Mish Mash é o tradicional evento do último fim de semana do festival, com música, malabarismo, magia, contorcionismo, acrobacias e palhaçaria. O ritmo é frenético: ninguém vai querer piscar para não perder o instante preciso que provoca o sorriso e a leveza. O local, mais uma vez, é a Pedreira Paulo Leminski.
Economia Criativa
A organização espera superar os números do ano passado. Na última edição, em 2025, cerca de 200 mil pessoas ocuparam teatros, praças e espaços culturais, movimentando aproximadamente R$ 50 milhões na economia criativa da capital e região, segundo entidades do setor.
“A força do evento reside na integração de toda a cadeia produtiva, que beneficia desde o setor de serviços e turismo até os prestadores de serviços técnicos especializados. O impacto social é igualmente relevante na formação de novos públicos, garantindo teatros com plateias cheias e ampliando o acesso à cultura”, explica Fabíula Passini.
A Mostra Lucia Camargo, a Mostra Fringe e o Interlocuções são apresentados por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, Renault e Geely, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná, Itaipu Binacional e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro e Paraná Festivais – Governo do Paraná. Confira no site oficial todos os espetáculos que contam com acessibilidade em Audiodescrição e intérpretes de Libras.
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