Grande nome da gravura paranaense, Andréia Las estreia em julho uma exposição individual na Argentina. A artista, que também é servidora e instrutora de artes da Fundação Cultural de Curitiba, terá 20 obras expostas no Museu Carlos Alonso, em Mendoza, na mostra Xilo Latina, a partir de 17 de julho.
Com mais de 40 anos dedicados à arte, em especial a trabalhos com xilogravura, Andréia também ministrará oficinas no país vizinho. O contato com o museu aconteceu a partir da Mostra Internacional de Mini Print, que a artista idealizou em 2024, no Museu da Gravura de Curitiba.
Mini Print teve mais de 140 gravuras em pequena dimensão. A mostra contou com participantes de vários países além do Brasil. No ano passado, essa exposição levou Andréia ao Chile, e agora, segue para Ponta Grossa. Na Argentina, com Xilo Latina, serão exibidos trabalhos seus desde os anos 1990 até mais atuais.
Ensino
Por onde passa com suas obras, a artista também ministra oficinas e workshops. A troca de informações e a orientação a outros artistas é algo que acompanha Andréia desde cedo. A curitibana, nascida em 1958, trabalhou para diversas empresas locais desde a adolescência, tendendo sempre a misturar o desenho e a criação com suas funções.
Enquanto estava na Telepar, passou no vestibular da Universidade Federal do Paraná no curso de Educação Artística. Deixou o emprego e focou os estudos. Com a turma, fez uma visita ao Solar do Barão, por volta de 1981, nos primeiros anos em que o casarão havia sido transformado em espaço cultural.
Iniciou o estudo de litografia e, no ano seguinte, ganhou o primeiro de vários prêmios, o Salão dos Novos em União da Vitória. Ainda nos anos 1980, venceu pela primeira vez o Salão Paranaense. Em 1984, concluiu a formação dupla, incluindo licenciatura.
Internacional
Trabalhou por um ano para a Fundação Cultural antes de se lançar para a primeira empreitada internacional. Em 1988, morou na França e aprendeu gravura em metal no ateliê de S. W. Hayter. Expôs por lá em uma galeria destinada aos artistas latinos.
“É um assunto recorrente”, explicou, sobre sua ligação com a identificação latino-americana em suas pesquisas. Ao retornar ao Brasil, um ano depois, fez concurso e entrou na Fundação Cultural novamente. Desde então, continuou não apenas produzindo, como também expondo, de Santa Catarina até Portugal e Rússia.
Como orientadora, desde os anos 1980, Andréia viu diferentes gerações de artistas locais. Alguns que foram seus alunos, hoje, são orientadores também. “Tem uns que sabem até mais do que eu”, brincou, comentando sobre a troca das produções em metal para a xilogravura. Ainda que tenha passado por diversas linguagens – chegou até a desenhar pisos de cerâmica e fazer cartões de Natal em serigrafia – foi na xilogravura que ela mais se destacou.
Madeira
A xilogravura usa a madeira talhada como matriz, o que permite reproduções da imagem sobre papel. “Eu sonhava com gravura”, Andréia conta. Alguns de seus trabalhos utilizam as próprias veias dos pedaços de madeira para criar imagens. “Eu trabalho com a textura da madeira, com a forma, sou geométrica”. Uma das obras, por exemplo, traz as veias do tronco mais aprofundadas com uma goiva bem fina, para dar mais profundidade aos detalhes da xilogravura.
Outras obras que ela mostrará na Argentina destacam cores, como o uso de painéis de papel colorido de mais de dois metros de altura. A disposição dos trabalhos, como um prisma, cria uma ambientação que favorece um novo olhar para as xilogravuras. As linhas marcadas nas madeiras revelam uma artista dedicada e celebrada, em quatro décadas de produções e orientações, que mais uma vez destaca a produção curitibana na gravura para além das fronteiras.


