Finalmente o governador Ratinho Junior está deixando de contemplar o pôr do sol nas barrancas do Rio Paraná e o seu belo nascer na Praia de Caiobá, no litoral, para enfrentar a perigosa selva política nacional onde reinam leões e raposas. Ele assumiu que vai disputar a Presidência da República.
Neste terreno minado, Ratinho Junior terá que passar por difíceis testes de paciência e engolir muitos sapos se não preferir enfiar a cabeça no buraco como avestruz. O jogo é pesado e não combina com seu legado de menino bonzinho que apenas quer mudar os rumos da nação. Terá que ser ousado.
O líder político paranaense, com mais de 80% de aprovação da população, terá quer, urgentemente, organizar grupos de elites (snipers, literalmente), em todo o país e contar muito com o carisma do seu pai, o apresentador Carlos Massa (Ratinho), líder de audiência popular.
Mas só isso não basta. O fogo inimigo é o pior deles; vem de dentro do próprio campo que ele pretende liderar. A direita brasileira é um arquipélago de egos inflados, ressentimentos mal resolvidos e líderes que não aceitam ser coadjuvantes. Ratinho Junior não enfrentará apenas a esquerda organizada ou o lulismo resiliente — terá que sobreviver ao tiroteio cruzado de aliados que sorriem em público e sabotam nos bastidores.
Além disso, o governador precisará decidir rapidamente se quer ser protagonista ou figurante de luxo. Não há espaço para discurso morno, nem para neutralidade calculada. A eleição presidencial exige enfrentamento, posicionamento claro e disposição para apanhar. O Brasil real não se conquista com paisagens bonitas nem com números frios de aprovação estadual. Exige narrativa nacional, pulso firme e coragem para desagradar — inclusive em casa.
Se insistir no papel de gestor técnico, educado e excessivamente prudente, Ratinho Junior corre o risco de virar apenas mais um nome na prateleira das “boas intenções”. Mas, se entender que a selva política não premia os cautelosos e que leões não respeitam avestruzes, pode surpreender. A travessia começou. E, na política nacional, quem hesita vira presa.


