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O perigoso e o imperador

Ruy Castro sugere que Trump só falta vestir a cueca por cima da calça

A Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, deveria estar concentrada em temas como crescimento econômico, conflitos internacionais, clima e comércio global. Mas, como frequentemente acontece quando estão em cena Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, a política doméstica acabou atravessando a agenda internacional.

Embora os dois líderes tenham se cumprimentado brevemente durante o encontro, sem uma reunião bilateral formal, o ambiente foi marcado por declarações públicas e indiretas que evidenciam a crescente distância política entre Brasília e Washington.

Trump voltou a adotar o tom que o transformou em protagonista da política mundial: provocativo, personalista e pouco afeito aos rituais diplomáticos. Ao comentar a situação brasileira, classificou o país como “politicamente perigoso” e sugeriu preocupação com os rumos institucionais do Brasil. A fala foi recebida em Brasília como mais uma tentativa de interferência retórica em assuntos internos brasileiros.

Lula respondeu à sua maneira. Sem citar diretamente cada declaração do americano, criticou a postura de Trump nas negociações comerciais e afirmou que o presidente dos Estados Unidos continua agindo “como imperador”. Ao comentar a ameaça de novas tarifas contra produtos brasileiros, classificou a atitude como uma “coisa desaforada”.

O episódio revela mais do que um choque de personalidades. Ele simboliza duas visões distintas de mundo. De um lado, Trump aposta em nacionalismo econômico, pressão tarifária e negociações conduzidas pela lógica da força. De outro, Lula procura se posicionar como defensor do multilateralismo, da cooperação internacional e do protagonismo do chamado Sul Global.

O contraste, entretanto, não impede uma realidade incontornável: Brasil e Estados Unidos continuam precisando um do outro. As trocas comerciais permanecem robustas, e ambos os governos sabem que uma escalada retórica prolongada pode produzir custos econômicos concretos. Talvez por isso Lula tenha descartado qualquer dramatização excessiva, afirmando que, se necessário, poderá simplesmente pegar o telefone e conversar diretamente com Trump.

Ruy Castro, em sua coluna desta quinta-feira (18) na Folha de São Paulo comenta sobre a arrogância do presidente americano e sugere que ele precisa de mais cuidados médicos, além dos 20 profissionais da saúde que o acompanham no dia a dia. Por fim, Castro fulmina: só falta Trump vestir a cueca por cima da calça. Sinal de que não está nada bem.

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