O governador Ratinho Junior, a exemplo de Jaime Lerner, vem cultivando o ritual quase místico do “Chapéu Pensador”, um refúgio arborizado onde, dizem, as ideias brotam como ipês em agosto e os problemas… bem, esses costumam tirar férias.
É ali, nesse cenário de paz quase cenográfica, que se pretende decifrar o enigma paranaense: uma nuvem pesada, teimosa, que paira sobre o Estado como visita inconveniente que já passou da hora de ir embora — mas continua sentada no sofá, pedindo mais um café.
Nesta terça-feira (07), o encontro ganha contornos de capítulo decisivo — ou pelo menos promete. À mesa, além do governador, figuras como o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e outros deputados que orbitam esse curioso sistema solar político onde, às vezes, falta gravidade e sobra cálculo.

O cardápio? Oficialmente, almoço. Na prática, digestão de incertezas, temperada com especulações, alianças mal digeridas e aquele silêncio constrangedor típico de quem sabe mais do que pode dizer — ou menos do que deveria.
A esperança é que, entre uma garfada e outra, alguém tenha a ousadia de trocar o lirismo do “Chapéu Pensador” por decisões concretas. Porque, convenhamos, nuvem não se dissipa com contemplação — exige vento. E, até agora, o que se vê é uma brisa tímida, quase protocolar, incapaz de mover sequer as cortinas do Palácio.
No fim, resta saber se o encontro produzirá algum raio de luz ou apenas mais sombra bem planejada. No Paraná, ultimamente, até o sol parece depender de articulação política.


