Dia 4 de outubro, a hora da verdade: as pesquisas de hoje também vão às urnas?
A enxurrada de pesquisas eleitorais nesta reta final da disputa pelo Governo do Paraná, a poucos dias das urnas de 4 de outubro, começa a provocar mais desconfiança do que esclarecimento. Candidatos e coordenadores de campanha contestam números apresentados por alguns institutos e questionam até que ponto tamanha disparidade entre levantamentos ajuda a informar — ou acaba confundindo o eleitor.
Quase todos os dias surge uma nova pesquisa. E somos obrigados, como veículo de comunicação, a lidar com uma sucessão de percentuais que, em alguns casos, desenham cenários bastante diferentes para uma mesma eleição.
Sentimento do eleitorado
Daí uma pergunta inevitável: até que ponto essas pesquisas conseguem fotografar com fidelidade o sentimento do eleitorado? E mais: em que medida a divulgação maciça desses números pode influenciar o próprio comportamento de quem ainda não decidiu seu voto?
Pesquisa eleitoral é fotografia, não urna. Trabalha com amostras — geralmente de mil, dois mil ou poucos milhares de entrevistados —, margem de erro, metodologia e determinado período de coleta. É um instrumento importante para medir tendências, mas jamais uma certidão antecipada do resultado das urnas.
Vencer no primeiro turno?
A pesquisa divulgada nesta segunda-feira (28) pelo Instituto Paraná Pesquisas, comandado pelo empresário Murilo Hidalgo, por exemplo, levou vários veículos de comunicação a destacarem a possibilidade de Sergio Moro (PL) vencer a eleição já no primeiro turno. O senador aparece com cerca de 46% das intenções de voto.
Os números caíram como uma bomba no comitê do candidato governista Sandro Alex (PSD). Seus coordenadores sustentam que o cenário apresentado não corresponde ao que enxergam nas ruas nem aos números de outros levantamentos, inclusive pesquisas internas e trackings utilizados pela campanha.
A reação foi imediata. A assessoria de Sandro Alex distribuiu material à imprensa destacando a evolução do candidato nas últimas pesquisas e lembrando que ainda faltam seis dias para a eleição — uma eternidade quando se trata de reta final de campanha.
No campo de Requião Filho (PDT), que aparece na casa dos 24%, o discurso também é de confiança. “Estaremos no segundo turno”, afirmou o candidato.
Clima de festa
Do lado de Sergio Moro, naturalmente, a música é outra. Com os números do Paraná Pesquisas debaixo do braço, o clima é de possibilidade concreta de vitória já no primeiro turno.
E é justamente aí que começa o verdadeiro teste.
No próximo domingo, não haverá margem de erro, intervalo de confiança, amostragem ou metodologia capaz de socorrer ninguém. A urna dará o número que interessa.
Será o teste de São Tomé: ver para crer.
E, desta vez, não estarão em julgamento apenas os candidatos. A credibilidade dos institutos de pesquisa também estará dentro da urna.


