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Dois fatos, dois riscos na política paranaense

Dois fatos sacudiram os pilares da direita extrema no Paraná e se transformaram em armas de fogo para adversários políticos do centro e da esquerda no Paraná. O primeiro foi a desastrosa fala da vereadora da Câmara de Curitiba, Thatiana Guzella (PL), ao pedir que sua colega de casa, Vanda de Assis, “voltasse para sua terra, o Ceará para não encher o saco aqui”. Caiu no colo do deputado petista, Arilson Chioratto, que pediu a cassação da vereadora por discurso de ódio e xenofóbico.

O outro foi a decisão do candidato do PL ao Governo do Estado, Sergio Moro, que desistiu, na última hora, de participar do debate na Band TV com seus adversários, Sandro Alex, do grupo do governador Ratinho Junior e de Requião Filho (PDT), que tem na sua ala, o PT de Luiz Inácio Lula da Silva. Até agora Moro está apanhando nas redes sociais, onde o estão chamando de “fujão”.

Quanto à vereadora, esposa do deputado também extremista de direita, Tito Barichello, o presidente do PT-PR e deputado estadual Arilson Chiorato pediu a cassação do mandato da parlamentar, alegando Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Curitiba que prevê a cassação quando o vereador falta com o decoro na sua conduta pública.

“A vereadora Tathiana Guzella se expressou de forma xenófoba, o que precisa ser coibido. Não podemos aceitar que um parlamentar normalize discurso de ódio. Isso não é opinião. É crime e precisa ser investigado e punido”, avalia o deputado Arilson, que também é líder da Oposição da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).

Em referência à ausência de Moro no debate, tem consequências além fronteira, pois abriu um precedente para que o presidente Lula também não compareça ao debate do próximo dia 23. Com sua cadeira vazia na Band Curitiba, seus adversários literalmente caíram de pau, afirmando que o senador paranaense “não tem programa de governo e, o mais grave, não conhece o Paraná”.

Depois da desistência pode ter sido estratégia de marketing, já que Moro lidera as pesquisas de intenção de votos, ou um baita tiro no pé, porque poderia ganhar votos dos indecisos, uma vez que, no Paraná, mais de 60% dos eleitores ainda não sabem em quem votar. E a campanha começa a partir do debate democrático, onde os eleitores tem a oportunidade de conhecer as propostas dos candidatos.

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