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Flávio Bolsonaro e seus 60 milhões de eleitores

Flávio Bolsonaro: se pretendia liderar a oposição e representar milhões de brasileiros, por que deixar o país justamente quando precisava dar explicações?

A fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil, em meio à repercussão de uma ordem judicial para entrega de seus passaportes, abriu uma crise que ultrapassa os limites da disputa política.

O episódio ganhou destaque na imprensa internacional e levantou questionamentos sobre seus efeitos jurídicos, diplomáticos e institucionais.

60 milhões de votos

A pergunta é inevitável: por que um senador da República, que acaba de receber quase 60 milhões de votos na disputa presidencial, deixaria o país sem oferecer explicações convincentes a seus eleitores?

A política exige coragem para enfrentar adversidades, respeito às instituições e compromisso com a verdade. Se há acusações ou investigações, cabe ao investigado apresentar sua defesa pelos meios legais, sem que isso signifique presumir culpa. Mas o silêncio e a falta de transparência alimentam dúvidas e ampliam a desconfiança pública.

Flávio Bolsonaro tem o direito de se defender, assim como todo cidadão. O que não pode ser ignorado é a responsabilidade de quem ocupa um mandato público e pretende representar milhões de brasileiros.

A democracia não termina nas urnas. Ela exige prestação de contas, respeito às decisões judiciais e responsabilidade com aqueles que depositaram sua confiança em um candidato.

A pergunta que permanece é simples: se pretendia liderar a oposição e representar milhões de brasileiros, por que deixar o país justamente quando precisava dar explicações?

São, portanto, muitas perguntas e sem respostas. Consultando as redes e grupos de whats, me interessou a análise de Luciano Dias, consultor do BTG. Ele diz:

A fuga de Flávio Bolsonaro

As informações correntes sobre a fuga da Flávio Bolsonaro ampliam a crise diplomática deflagrada pela eleição brasileira. Não houve apenas o envolvimento do governo dos Estados Unidos, mas também a participação direta da inteligência do governo da Argentina. Foi assim possível produzir informações falsas ao longo do dia, garantindo tempo para os ajustes com o governo dos Estados Unidos. Nesse momento, portanto, são duas as áreas de incerteza com respeito ao assunto.

Não está claro, por exemplo, se o governo americano irá além da mera concessão de um asilo político. Trump vem descrevendo os resultados da eleição como fraudulentos, mas sem afirmações diretas. O Secretário de Estado, Marco Rubio, ainda não se manifestou. Faz parte de qualquer decisão de asilo, por exemplo, limitar as ações políticas do exilado.

É evidente que uma operação dessa natureza, envolvendo toda sua família, contou com o endosso do governo americano, deixando o governo brasileiro e demais autoridades em um embaraço considerável.

Por fim, resta a ação do governo brasileiro, enganado pelos americanos e também pela Argentina, governada por um presidente que não reconheceu a vitória de Lula. Faltam ao Brasil instrumentos para reagir às ações americanas, mas alguma retaliação, aplicada contra a Argentina, seria possível.

A sucessão no Congresso registra seus primeiros movimentos, repetindo sua dinâmica habitual. Na passagem de uma legislatura à outra, quando a reeleição dos titulares é possível, seu primeiro esforço é apresentar suas candidaturas como consensuais e apoiadas pelo governo. Como o PT não dispõe de bancadas relevantes nas duas Casas, essa última condição foi cumprida, mas a tese da candidatura consensual não durou muito no Senado.

O senador Davi Alclumbre (União-AP) foi capaz de articular um apoio formal da União Progressista, mas, em poucas horas, a senadora Teresa Cristina (PP-MS) apresentava sua candidatura alternativa e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) negava apoio a Alcolumbre. Teresa Cristina, como se sabe, tem um perfil mais adequado para atrair outros senadores conservadores do que o candidato oficial do PL, senador Rogério Marinho (PL-RN).

Por fim, uma observação geral: a sucessão no Congresso sempre é sujeita a manobras de última hora e ao aparecimento de alternativas. As candidaturas originais de Davi Alcolumbre e Hugo Motta foram desenhadas bem próximas da eleição.

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