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Inflação do turismo em Curitiba ultrapassa média nacional

Pela primeira vez desde a criação do Boletim da Cesta do Turismo, indicador desenvolvido pela Fecomércio PR em 2024 com base nos dados do IBGE, a inflação do turismo em Curitiba e Região Metropolitana superou a média nacional no acumulado de 12 meses. O índice alcançou 8,44% na capital paranaense, acima dos 8,28% registrados no Brasil no período entre maio de 2025 e abril de 2026.

Outro ponto que chama atenção é que os produtos e serviços ligados ao turismo já acumulam inflação muito superior à inflação geral da economia. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no acumulado em 12 meses está em 3,33%, em Curitiba e Região Metropolitana, a inflação da Cesta do Turismo alcança 8,44%, mais do que o dobro do índice geral. No cenário nacional, a diferença também é significativa: o IPCA geral soma 4,39%, enquanto a inflação do turismo chega a 8,28%.

Apesar de abril ter registrado deflação no setor turístico, tanto no país quanto em Curitiba, os custos acumulados das viagens seguem pressionados, especialmente por despesas ligadas ao transporte aéreo, hospedagem e alimentação fora de casa.

Em abril, a Cesta do Turismo apresentou queda de 0,68% em Curitiba e Região Metropolitana, resultado próximo da deflação nacional de 0,85%. O principal fator de alívio foi a redução das passagens aéreas, que caíram 14,77% na capital paranaense e 14,45% no país.

Ainda assim, os preços das passagens aéreas acumulam inflação expressiva de 33,20% em Curitiba e Região Metropolitana nos últimos 12 meses, sendo um dos principais fatores que fizeram a inflação do turismo paranaense ultrapassar a média nacional pela primeira vez desde o início do levantamento da Fecomércio PR.

Outro item que vem pressionando o orçamento dos turistas é a hospedagem, que registrou alta de 11,14% no acumulado de 12 meses em Curitiba e RM. Os pacotes turísticos também registram aumento relevante, de 13,20%, enquanto despesas com os lanches, outro item importante nas viagens, seguem em trajetória de alta e acumulam inflação de 10,43% na capital paranaense.

Segundo o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, o conflito no Oriente Médio teve influência importante sobre esse cenário, especialmente pelos reflexos sobre combustíveis e transporte aéreo. “Desde o início das tensões internacionais, em fevereiro, houve aceleração dos preços ligados ao turismo, sobretudo em razão da pressão sobre os custos de deslocamento”, avalia.

Variações mensais

Entre os itens com maior alta em Curitiba e Região Metropolitana no mês de abril, o destaque ficou com pacote turístico, que avançou 2,49%, seguido por sorvete (+1,62%), estacionamento (+1,45%) e ônibus intermunicipal (+1,10%).

No cenário nacional, as maiores elevações de preços em abril ocorreram no cafezinho (+2,04%), doces (+1,12%), casa noturna (+1,00%) e refrigerante e água mineral (+0,90%).

“Apesar da desaceleração observada em abril, impulsionada principalmente pela redução das tarifas aéreas, o acumulado dos últimos 12 meses demonstra que o turismo segue pressionado por custos estruturais mais elevados. O resultado de Curitiba acima da média nacional reforça o peso crescente das despesas com transporte e serviços turísticos no orçamento dos consumidores paranaenses”, completa o economista.

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