Paraná Pesquisa: 46,2% não permite afirmar, isoladamente, que Moro venceria no primeiro turno.
A uma semana das urnas, a eleição para o Governo do Paraná entra naquela fase em que pesquisa deixa de ser apenas fotografia e passa a ser munição. Levantamento divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Instituto Paraná Pesquisas, dirigido pelo empresário Murilo Hidalgo, coloca Sergio Moro (PL) na liderança, com 46,2%, seguido por Requião Filho (PDT), com 23,6%, e Sandro Alex (PSD), com 21,5%.
Os números dão a Moro uma vantagem confortável e colocam uma pergunta incômoda sobre a mesa: haverá segundo turno?
A pesquisa provocou surpresa — e, naturalmente, diferentes interpretações — nos comandos das campanhas que travam uma batalha particular pelo segundo lugar. Requião Filho e Sandro Alex estão separados por apenas 2,1 pontos percentuais, diferença inferior à margem de erro informada de 2,8 pontos percentuais. É nesse pequeno corredor que está sendo disputada a sobrevivência política dos dois candidatos.
No QG de Sandro Alex, porém, a lupa está colocada sobre outro número: a curva de crescimento.
O candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior vem avançando levantamento após levantamento do próprio Paraná Pesquisas. Tinha 16,5% em 17 de agosto, passou para 17,5% em 3 de setembro, chegou a 19,7% em 18 de setembro e agora aparece com 21,5%.
Pode-se discutir o tamanho da subida. O que não se pode discutir é a direção da escada: até agora, Sandro só subiu.
Moro percorreu caminho diferente. Marcava 46,1% em 17 de agosto, caiu para 45% em 3 de setembro e para 44,7% em 18 de setembro. Agora recuperou terreno e aparece com 46,2%. Ou seja: depois de pequenas oscilações, voltou praticamente ao ponto de onde havia partido.
Requião Filho também se mantém relativamente estável. Tinha 23,4% em 17 de agosto, foi a 24% em 3 de setembro, recuou para 23% no dia 18 e agora registra 23,6%.
É justamente aí que mora a pimenta desta eleição.
Enquanto Moro reina praticamente sozinho no primeiro andar, Requião Filho e Sandro Alex brigam ferozmente pela escada que pode levá-los ao segundo turno. E Sandro chega à última semana com um argumento que sua campanha certamente explorará até a exaustão: entre os três principais candidatos, é o único que apresenta crescimento contínuo nessa sequência de levantamentos.
Há, entretanto, um abismo quando se olha para a pesquisa espontânea — aquela em que o entrevistado não recebe uma lista de candidatos. Moro aparece muito à frente, com 33,4%, contra 14,2% de Requião Filho e 13% de Sandro Alex. É um indicador da consolidação do nome do ex-juiz entre os eleitores.
Na rejeição, o desenho muda. Requião Filho lidera com 39%, seguido por Moro, com 27,3%. Sandro Alex registra 12,9%, a menor rejeição entre os três. Para quem ainda sonha em virar o jogo, rejeição baixa é combustível; mas combustível, sozinho, não ganha corrida. É preciso transformar possibilidade em voto.
Agora acabou o ensaio.
Falta uma semana. Ratinho Junior terá de colocar todo o peso político de seu governo na rua para tentar empurrar Sandro Alex alguns pontos acima. Requião Filho precisa segurar o espaço conquistado e impedir que o adversário governista o ultrapasse. E Moro tentará fazer aquilo que os outros dois mais temem: liquidar a fatura sem lhes conceder uma segunda chance.
Daqui para a frente, pesquisa será usada como arma, tendência será vendida como vitória e cada voto indeciso será disputado como se fosse o último.
Porque, para Requião e Sandro, talvez seja mesmo.


