Nesta segunda-feira (28), abordamos um tema que vem tirando o sono dos candidatos ao Governo do Paraná — e começando a embaralhar a cabeça do eleitor: a enxurrada de pesquisas eleitorais na reta final da campanha.
O Paraná Pesquisas colocou Sergio Moro (PL) na liderança, com 46,2%, seguido por Requião Filho (PDT), com 23,6%, e Sandro Alex (PSD), com 21,5%. Um dia depois, nesta terça-feira (29), a Real Time Big Data apresentou uma fotografia bem diferente da mesma eleição: Moro aparece com 36%, Sandro Alex sobe para 28% e Requião Filho registra 23%.
De uma pesquisa para outra, Moro perde dez pontos; Sandro Alex ganha mais de seis; e Requião Filho praticamente permanece no mesmo lugar. É diferença suficiente para transformar não apenas os números, mas a própria narrativa da eleição.
E é justamente aí que mora o problema.
Percentuais tão distintos, divulgados praticamente às vésperas da votação de 4 de outubro, deixam o eleitor diante de uma pergunta inevitável: qual dessas fotografias está mais próxima da realidade das ruas e das urnas?
Pelo levantamento da Real Time Big Data, Sandro Alex, candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior, encurta consideravelmente a distância para Moro e alimenta a tese defendida por sua campanha de que existe uma tendência de crescimento na reta final. Mais do que isso: fortalece a possibilidade de segundo turno.
Já pelos números divulgados pelo Paraná Pesquisas, dirigido por Murilo Hidalgo, o cenário era muito mais confortável para Moro. Considerando os votos válidos, o candidato do PL teria condições de liquidar a eleição ainda no primeiro turno.
São duas pesquisas. Dois retratos. E praticamente duas eleições diferentes.
E a maratona dos institutos ainda não acabou. Há novos levantamentos previstos para os últimos dias antes da votação, incluindo pesquisas de outros institutos. Será mais uma avalanche de percentuais sobre um eleitor que, no domingo, terá a palavra definitiva.
Pesquisa eleitoral é fotografia de um determinado momento, feita a partir de uma amostra da população e dentro de uma margem de erro. Não é urna, muito menos sentença.
Talvez seja essa a única pesquisa absolutamente infalível: aquela que será feita no domingo, diante da urna eletrônica, com milhões de paranaenses respondendo à mesma pergunta.


