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Paraná precisa ter mais representatividade nas cortes superiores de Justiça, afirma Desembargador José Laurindo

O desembargador José Laurindo de Souza Netto, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, pleiteia uma vaga no Superior Tribunal de Justiça. Atualmente, o STJ é composto por 33 ministros, e, entre eles, dois são paranaenses: Sérgio Kukina e Joel Ilan Paciornik.

“Aproximar, humanizar e, sobretudo, lembrar que por trás de cada processo existe uma vida.” Esse foi o tom imprimido pelo desembargador José Laurindo de Souza Netto durante sua presidência no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, no biênio 2021/2022. Sua atuação buscou desmistificar a imagem de um Judiciário muitas vezes percebido como frio e excessivamente técnico.

Com mais de 37 anos de vida dedicada ao Judiciário e quase 16 anos na Corte estadual, defende que o Paraná precisa ampliar sua representatividade no Superior Tribunal de Justiça.  O debate, segundo ele, não se resume à ocupação de uma cadeira em Brasília, mas à necessidade de fortalecer a presença institucional do Estado em uma das mais importantes cortes do país.

José Laurindo construiu sua trajetória não apenas por decisões judiciais, mas também por uma tentativa clara de aproximar a Justiça da sociedade — algo cada vez mais raro em um sistema que, por vezes, fala para si mesmo. Há, nesse modelo de atuação, um eco evidente da filosofia africana Ubuntu . Não necessariamente proclamada em discursos formais, mas perceptível na prática: a compreensão de que a Justiça não deve ser um fim em si mesma, e sim um instrumento de equilíbrio coletivo. Afinal, como ensina o Ubuntu, ninguém se realiza sozinho — nem mesmo o Judiciário.

Quando José Laurindo fala em diálogo como necessidade central da vida em sociedade, não se trata apenas de retórica institucional. Trata-se de uma visão que rejeita o isolamento das instituições e aposta na construção compartilhada das soluções. Em um país onde decisões judiciais frequentemente parecem distantes da realidade social, adotar uma lógica de interdependência é, em alguma medida, um gesto de resistência.

José Laurindo tem seu nome ventilado para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça e a pergunta que fica é simples — e incômoda: o sistema está preparado para absorver uma visão mais humanizada da Justiça ou continuará preferindo o conforto da distância?

Porque, no fim das contas, não se trata apenas de ocupar uma cadeira em Brasília. Trata-se de decidir que tipo de Justiça se quer construir: uma que observa de cima ou uma que se reconhece parte do todo.

Ele, como presidente do TJ paranaense, teve reconhecimento em destaque com atuação na Pandemia da Covid, alavancando o trabalho online da instituição judiciária, que não sofreu solução de continuidade no período.

Para o Desembargador, Ubuntu deixa de ser apenas filosofia e passa a ser critério. E talvez seja exatamente isso o que mais falte. Em suas palavras, “há algo de profundamente errado quando uma sociedade mede o sucesso pelo tamanho do patrimônio e não pela qualidade das relações humanas. É o triunfo do ‘eu’ sobre o ‘nós’, como se fosse possível construir alguma coisa sólida pisando nos ombros alheios”.

Adepto da filosofia Ubuntu José Laurindo prega o conceito do “eu sou porque nós somos” não é poesia — é um diagnóstico. E também um alerta, afirma.

Enquanto o mundo ocidental insiste em transformar tudo em disputa — likes, poder, votos, espaço —, o desembargador lembra que, no conceito Ubuntu ninguém se sustenta sozinho. “O sujeito que sobe ignorando o coletivo, na verdade, já começou a cair, só não percebeu ainda”, observa.

Ex-presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, José Laurindo é professor titular do Programa de Mestrado e Doutorado em Direito Empresarial e Cidadania do Unicuritiba, do qual também foi coordenador. e professor convidado de universidades italianas, lembra de líderes como Nelson Mandela que entenderam essa filosofia na prática quando escolheram a reconciliação em vez da vingança após o Apartheid. Não era fraqueza — era inteligência social. Era compreender que destruir o outro seria, no fim, destruir a si mesmo.

No fim das contas, a conta chega — sempre chega. E quando chegar, não será o “eu” que vai pagar sozinho. Porque nunca foi só “eu”.                                                                                                                                                      No último certame para vaga no Superior Tribunal de Justiça, José Laurindo recebeu apoio não apenas do governador do Estado, mas também de mais de 20 entidades e instituições paranaenses. Entre elas, a Assembleia Legislativa do Paraná, a Câmara Municipal de Curitiba, universidades, associações jurídicas, entidades empresariais, cooperativas e o G7 — grupo que reúne as principais entidades representativas do setor produtivo paranaense.

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