A movimentação política no Paraná está travada entre lealdade pessoal e pragmatismo político. Um dilema, entre coração e razão que mexe com os nervos dos mais experimentes políticos do Estado e fora dele, porque a batalha mira dois palacetes: o Iguaçu, no Paraná, e o Planalto, em Brasília.
Ratinho Junior vai a São Paulo nesta semana para um encontro com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, onde oficializará sua intenção de se candidatar à Presidência da República. Antes, ou dias depois de sua viagem, o governador terá que resolver um problema interno: sua sucessão.
Se Ratinho Junior escolher seu fiel secretário das Cidades, Guto Silva, como sucessor, poderá enfrentar resistência do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, que que tem 30 deputados estaduais, muitos federais e uma base de mais de 200 prefeitos, além de forte relação política e de parentesco com o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel. Soma-se, ainda, sua forte ligação com a classe empresarial paranaense.
Enquanto Guto Silva é o preferido de Ratinho Junior, Alexandre Curi é o maior articulador político do Estado hoje. Como presidente da Alep, ele tem a “chave” dos prefeitos e deputados. Se for preterido, ele tem capital político suficiente para não apenas sair do grupo, mas levar consigo boa parte da base governista.
O Risco de Ratinho Junior
Se Ratinho renunciar para disputar a Presidência ou o Senado, ele entrega a caneta ao vice, Darci Piana, perdendo o controle direto sobre a máquina pública durante a campanha de sucessão. Ao tentar ser uma “terceira via” moderada, ele corre o risco de ser atropelado pela polarização se não conseguir o apoio formal do PL de Bolsonaro no Paraná.
Se Alexandre Curi se sentir isolado pelo PSD de Ratinho, o caminho natural será o Republicanos onde seu presidente, deputado Marcos Pereira tem, insistentemente, pedido para que se filie ao partido e concorra ao Palácio Iguaçu.
A amigos, Alexandre Curi tem afirmado que mantém sua fidelidade ao governador Ratinho Junior e, caso não seja o escolhido, ele vai rever sua posição junto com o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, que estaria de partida para o PP de Ricardo Barros no Estado.
Barros não esconde sua decepção com o senador Sergio Moro (União Brasil) e, hoje, na federação União Brasil-Progressistas. Ao filiar Greca, o PP dispensaria o UB – estratégia em andamento – a poderia fazer uma coligação com o Republicanos de Alexandre Curi. Neste xadrez, o Republicanos e o PP poderiam dar palanque ao candidato Flávio Bolsonaro no Paraná, complicando as intenções de Ratinho Junior em seu próprio terreno.
O principal objetivo do PL é garantir a eleição de Filipe Barros para o Senado.
O PL, de Waldemar da Costa Neto, já sinalizou que quer protagonismo no Paraná. Recentemente, anotações de Flávio Bolsonaro (vazadas ou estratégicas) mostravam Curi, Guto, Greca e Felipe Barros no radar.
Se o Paraná rachar e o PL ocupar o espaço com um nome forte como Curi ou até apoiando Rafael Greca, Ratinho Júnior perde sua principal base de apoio (um estado 100% unido) para se apresentar ao Brasil. Sem o controle total do seu “quintal”, a viabilidade dele como alternativa da direita ao Planalto diminui drasticamente.
Greca é um “coringa” perigoso. Ele tem alta aprovação em Curitiba e não aceitará um papel de coadjuvante irrelevante. Se ele se sentir escanteado na disputa pelo governo ou por uma das vagas ao Senado, um acordo Greca-Curi (com ou sem o PL) criaria um polo de poder paralelo ao Palácio Iguaçu.
Se Ratinho Junior sair para a campanha nacional e o estado entrar em guerra civil política, ele viraria um general sem exército. O que não é bom para seu ainda brilhante futuro político.
O governador está em uma encruzilhada: Se apoiar Guto, arrisca um racha que entrega o estado ao PL e fortalece a família Bolsonaro no Sul. Se apoia Curi, mantém a unidade e o trânsito intenso que o presidente da Alep tem com todas as legendas, inclusive com a ala bolsonarista. Curi também tem sido assediado pelo candidato Flavio Bolsonaro, mas tem afirmado que seu compromisso é com Ratinho Junior.


