Neste final de semana fui conhecer a cidade de Pomerode, em Santa Catarina, distante cerca de 200 quilômetros de Curitiba. Na pousada onde fiquei por dois dias, minha primeira pergunta à proprietária foi sobre segurança pública na cidade, que que observei que os muros e cercas das casas não tinham além de um metro e meio de altura.
A cidade aparece com frequência entre as mais seguras do país, com baixos índices de criminalidade. Não vi policiais nas ruas, porém, câmeras de segurança estão por toda parte. Um dos fatores centrais de segurança na cidade é o forte senso de comunidade, com participação ativa dos moradores na preservação da ordem.
Em 2024, houve registro de homicídio após anos sem casos — mostrando que nenhuma cidade é imune.
Pomerode mostra algo que o Brasil insiste em ignorar: segurança pública não é só polícia — é organização social, gestão local e presença real do Estado. É o oposto do improviso que domina boa parte do país.
Enquanto boa parte do Brasil trata segurança pública como um problema insolúvel — sempre à espera de mais viaturas, mais armas ou mais discursos — a pequena Pomerode resolveu fazer o básico bem feito.
A cidade não descobriu nenhuma fórmula mágica. Apostou em integração entre forças de segurança, gestão eficiente e, sobretudo, presença real do poder público. Não aquela presença episódica, que aparece em operações midiáticas, mas a que se mantém no dia a dia, silenciosa e eficaz. Some-se a isso uma comunidade organizada, que não normalizou o crime como parte da paisagem, e o resultado aparece: baixos índices de violência e uma sensação de segurança que, no Brasil, virou artigo de luxo.
No Paraná — um estado economicamente robusto, com cidades dinâmicas e arrecadação relevante — ainda se patina em algo essencial. Há ilhas de eficiência, é verdade. Mas falta aquilo que sobra em Pomerode: continuidade, coordenação e prioridade política real.
Por aqui, a segurança pública muitas vezes entra no jogo eleitoral como promessa inflamada e sai dele como pauta secundária. Trocam-se nomes, mudam-se comandos, mas a lógica permanece: ações pontuais, pouco planejamento e uma insistência quase teimosa em reagir ao crime, em vez de preveni-lo.
Pomerode escancara uma verdade incômoda: o problema não é falta de dinheiro, é falta de método — e, principalmente, de decisão política.
Quando uma cidade pequena consegue entregar o que estados inteiros não conseguem, o discurso fácil desmorona. Não dá mais para culpar apenas a complexidade ou o tamanho do problema. Falta gestão. Falta compromisso. Falta tratar segurança pública como base do desenvolvimento, e não como peça de propaganda.
No fim das contas, Pomerode não é exceção por ser extraordinária. É exceção porque fez o que deveria ser regra.
Como sabemos, segurança pública é o alicerce invisível sobre o qual se constrói qualquer sociedade minimamente organizada. Sem ela, não há investimento consistente, não há circulação plena de pessoas, não há confiança — e, sobretudo, não há futuro.


