Vem aí o temeroso “El Niño, aquecimento das águas do Oceano Pacífico que favorece com que haja mais calor e umidade para formar tempestades na região equatorial e isso altera as condições dos ventos. Na América do Sul, favorece aumento no transporte de umidade e de calor da região Amazônica para o Sul do País. Historicamente ocorre mais seca no Norte do Brasil, e mais chuvas no Sul”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
Como precaução, técnicos do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e integrantes da Defesa Civil se reuniram nesta quarta-feira (13), em Curitiba para mostrar o acompanhamento semanal e a evolução do El Niño, padrão climático natural que influencia diretamente o clima global e que está previsto para o segundo semestre.
Com previsão de impacto nas condições atmosféricas ao longo do inverno de 2026, a Defesa Civil do Paraná também atua na orientação das prefeituras, com ações preventivas, treinamentos e simulações, além da disponibilidade de recursos.
Comparando os dados de previsão de El Niño com as anomalias mensais acompanhadas pelo Simepar no Paraná, o inverno de 2026 vai registrar temperaturas mais amenas em comparação ao ano passado, com menos ondas de frio intenso. No segundo semestre deste ano as chuvas serão mais intensas, entretanto irregulares e persistentes. A previsão indica que todas as regiões devem registrar chuva acima da média histórica, principalmente na metade sul do Paraná, que costuma ser mais afetada pelo fenômeno.
O Simepar e a Defesa Civil também montaram uma nota técnica orientativa sobre o fenômeno e apresentaram o cenário para a imprensa nesta quarta-feira (13).
No padrão internacional, a sigla ENOS refere-se à oscilação entre o aquecimento (El Niño) e esfriamento (La Niña) das águas do Pacífico Equatorial. De acordo com o Climate Prediction Center da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, agência federal americana), o ENOS é um dos fenômenos climáticos mais importantes da Terra devido à sua capacidade de alterar a circulação atmosférica global.
Esse fenômeno influencia a temperatura e a precipitação em todo o planeta. Analisando o ENOS é possível prever com antecedência a influência do fenômeno em relação aos impactos mais fortes no clima e no tempo de uma região.
A NOAA classifica a evolução do El Niño por trimestre. Essa média móvel de três meses é comparada a uma média de 30 anos. No período entre abril e junho, segue a condição de neutralidade das águas. A partir do inverno de 2026, o El Niño vai se desenvolver e influenciar o clima do Paraná, e gradativamente aumentando sua intensidade para forte a muito forte entre a primavera e o verão.
Em julho, a diretoria do Simepar irá até a NOAA para uma missão técnica, fortalecendo o vínculo no monitoramento destes eventos climáticos extremos. Técnicos da agência americana participaram do Seminário do Simepar voltado à prevenção a tornados, realizado em março deste ano.

Modelagem numérica da previsão do tempo do Simepar é tema de publicação internacional
Com base nos dados e prognósticos feitos pelo Simepar, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) fez uma reunião nesta semana com os 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR) realizada para reforçar as atividades junto aos municípios. As principais medidas são a revisão do Plano de Contingência, com mapeamento atualizado das áreas de risco vulneráveis a inundações e deslizamentos.
A orientação também destacou a gestão preventiva na desobstrução de galerias pluviais e dragagem de canais para garantir o escoamento em casos de enxurrada, o acompanhamento dos alertas da Defesa Civil e a vigilância de encostas suscetíveis à movimentação de massa.
De acordo com o coronel Fernando Schunig, coordenador estadual da Defesa Civil do Paraná, a atenção está voltada principalmente para as regiões onde há o histórico de ocorrências em razão do excesso de chuva.
“A preparação está sendo feita em todo estado, em especial naqueles locais que tradicionalmente sofrem com enxurradas, enchentes ou deslizamentos. No Litoral, a prefeitura de Morretes realizou um simulado de desastre e Antonina prepara um exercício que deve acontecer ainda esse mês. Essas ações têm o nosso apoio, são essenciais para os gestores e a comunidade saber como se preparar, mitigar os riscos e qual o momento certo de agir”, explica.
“Certamente teremos situações de anormalidade, mas por hora não é possível prever qual será a região mais vulnerável nem a magnitude que o fenômeno vai acrescentar às condições já esperadas para cada estação, em especial na primavera. Atuamos em conjunto com o Simepar que nos fornece os dados utilizados para definir estratégias junto aos municípios, além do envio de alertas à população”, detalha o Major Anderson Gomes, chefe do Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd).
O Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap) também está à disposição para apoiar projetos das prefeituras. Ele destinou R$ 16,2 milhões nos últimos sete meses para obras de drenagem em Londrina e Guaratuba e a construção de sete pontes na área rural de Espigão Alto do Iguaçu, todas medidas elencadas para prevenção de eventos extremos.
“Nós asseguramos os valores para as obras de prevenção em áreas de prevenção. Basta a prefeitura encaminhar o projeto, os nossos técnicos analisam o pedido e cruzam com a base de dados do Sistema Informatizado de Defesa Civil (SISDC). Havendo reincidência de ocorrências que trazem riscos à população ou causam prejuízos, damos início ao processo para a transferência”, detalha Schunig.
Este mês a Defesa Civil realiza a maior capacitação de voluntários da história. Mais de 3 mil pessoas estão em processo de formação e quem finalizar os sete módulos até o dia 1º de junho estará habilitado para auxiliar em momentos extremos.
Para melhorar a capacidade de prevenção, o Simepar já iniciou o processo de contratação de mais meteorologistas e também os editais do Monitora Paraná e Monitora Litoral, que preveem a aquisição de novos radares meteorológicos e boias oceanográficas, com apoio do Instituto Água e Terra (IAT). As aquisições são mediadas pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável.

“Estamos reforçando bastante a questão da previsão. Nós temos um programa chamado Monitora Paraná que, através de novos radares, vai orientar a população a se precaver em determinadas situações de risco, junto com o trabalho de alerta da Defesa Civil. Além disso, também temos programa de parques urbanos para municípios que têm problema na drenagem urbana”, afirma o secretário do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza.
Os radares que serão adquiridos neste momento são do tipo Doppler com polarização dupla, que representam o que há de mais moderno em tecnologia meteorológica em todo o mundo. O processo está estruturado em três lotes, cada um voltado à aquisição de um tipo específico de radar (S, C e X), pensado para atender às diferentes realidades regionais do Paraná.


