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Tempo esquenta na CPMI do INSS

Terminou em empurrões, troca de socos e até denúncia pelos governistas de sabotagem por parte de integrantes da mesa na sessão desta quinta-feira (26) da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, que aprovou as quebras de sigilo fiscal e bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lulinha, que está morando na Espanha, teve seu nome citado como dos possíveis beneficiários do esquema de desvios em uma das fases da Operação Sem Desconto. Até agora, contudo, Lulinha não foi alvo de operação da Polícia Federal.

O presidente Lula já afirmou publicamente que “se tiver alguma coisa, Lulinha pagará o preço”, tentando se blindar das acusações contra o filho. Lulinha não é o único familiar do chefe do executivo sob suspeita de envolvimento no esquema do INSS.

O irmão de Lula, conhecido como Frei Chico, é da cúpula diretiva do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), instituição que também é alvo da oposição ao governo dentro da comissão. De 2020 a 2024, os valores repassados pelo INSS para o Sindnapi cresceram 564%, indica a oposição.

Depois da confirmação da intimação dos irmãos do ministro Dias Toffoli, para depor na CPI, a quebra de sigilo de Lulinha tem o condão de amenizar ou impor de vez pressão sobre o pai presidente, impactando fortemente nas perspectivas eleitorais de outubro. Com as quebras, a comissão poderá ter acesso a extratos, movimentações financeiras, declarações de IR e contratos de Lulinha, possibilitando aos congressistas verificarem entradas recorrentes compatíveis com a suposta “mesada” de R$ 300 mil.

Se os próximos passos da CPMI podem respingar ou não no presidente Lula, fato é que ninguém está imune de oferecer transparência em sua conduta, ainda mais sob o manto de graves denúncias de corrupção ou enriquecimento ilícito que se arrastam há muito. Do mesmo modo, se há ilícito, o responsável deve responder por ele.

Num cenário de tantas dúvidas e desconfiança no trato com a coisa pública e da isenção de justiça, o Brasil precisa sim começar a ser passado a limpo de uma vez.

Na gangorra entre correntes políticas que trocam acusações permanentemente, sob verdades ou não, impõe-se à Justiça a régua, a baliza, o senso de equilíbrio contra desconfianças. Que devedores paguem por seus atos e que eventuais injustiçados tenham a devida reabilitação

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