Obrigatoriedade do CIOT para praticamente todas as operações de transporte aumenta pressão por compliance e digitalização no setor
A ampliação da obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), em vigor desde maio de 2026, colocou o tema definitivamente no radar das empresas de logística. Com as novas regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), praticamente todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas passaram a exigir registro prévio, ampliando o monitoramento do setor e impondo novas exigências a embarcadores, transportadoras e operadores logísticos.
Criado para substituir a antiga carta-frete, o CIOT é um registro eletrônico utilizado pela ANTT para identificar operações de transporte rodoviário de cargas e acompanhar a regularidade dos pagamentos de frete. “A exigência se aplica a praticamente todo o transporte rodoviário de cargas, com exceções bastante específicas, e deve impactar principalmente as operações que envolvem Transportadores Autônomos de Cargas (TACs), TACs equiparados e serviços terceirizados. Para muitos desses profissionais, essa rotina ainda é novidade”, explica Tatiane Bueno, CEO da Tecnorisk, empresa especializada em gestão de risco para o transporte no Brasil e no Mercosul.
Segundo a executiva, embora exista há mais de 15 anos, o CIOT deixou de estar restrito a modalidades específicas de contratação e passou a ocupar papel central na gestão do transporte. “O descumprimento das regras pode resultar em multas superiores a R$ 10 mil, além de retenções em fiscalizações e atrasos que impactam diretamente os custos e a produtividade das operações”, afirma.
Automação para reduzir riscos
A integração do CIOT aos sistemas de gestão de transporte (TMS), plataformas de pagamento eletrônico e documentos fiscais digitais tornou o processo cada vez mais presente na rotina das empresas. Para Tatiane, o desafio não está apenas na emissão do código, mas também na qualidade e na consistência das informações registradas.
“Muitas empresas ainda enxergam o CIOT apenas como uma exigência regulatória. Na prática, ele representa segurança jurídica para toda a cadeia logística. A emissão correta reduz a exposição a penalidades, amplia a transparência e contribui para a profissionalização do setor”, diz.
De acordo com a executiva, a necessidade de atender às novas exigências tem levado as empresas a revisar processos internos e investir em automação. “O mercado está migrando de uma postura reativa para uma gestão preventiva. Automatizar processos e integrar sistemas reduz falhas operacionais e fortalece os mecanismos de conformidade”, afirma.
Na avaliação da Tecnorisk, a tendência é que o CIOT se consolide como um dos principais instrumentos de governança do transporte rodoviário de cargas, acompanhando o avanço da digitalização e o aumento da rastreabilidade exigida pelo setor.


