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Reconhecimento da música eletrônica como patrimônio cultural celebra força de uma cena que movimenta o Paraná há décadas

A música eletrônica acaba de conquistar um reconhecimento histórico no Paraná. A Assembleia Legislativa do Estado aprovou, no último dia 11 de agosto, o Projeto de Lei nº 369/2026, que reconhece o Movimento da Música Eletrônica como Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná e institui 1º de fevereiro como Dia Estadual da Música Eletrônica. A proposta segue agora para sanção do governador. O reconhecimento oficializa uma história que começou a ganhar força no Estado ainda na década de 1980 e que, ao longo dos anos, transformou o Paraná em um dos territórios mais importantes para a música eletrônica brasileira. A própria escolha de 1º de fevereiro faz referência à inauguração do Sistema X, em Curitiba, em 1985, espaço considerado fundamental para a difusão do gênero no Estado.

Além de reconhecer sua importância artística e social, o projeto destaca a dimensão econômica dessa cultura. DJs e produtores musicais dividem esse ecossistema com VJs, produtores culturais, performers, coletivos, técnicos e diversos outros profissionais. O texto também abre perspectivas para preservação da memória da cena, valorização de espaços e iniciativas e acesso a mecanismos de incentivo cultural. 

Para Patrik Cornelsen, sócio da Planeta Brasil, a aprovação representa também o reconhecimento de um movimento construído ao longo de décadas por artistas, produtores, casas, festivais e, principalmente, pelo público paranaense. “A música eletrônica faz parte da história cultural do Paraná há muito tempo. Vimos essa cena crescer, ocupar espaços cada vez maiores, atrair público de diferentes partes do Brasil e colocar o Estado no circuito de grandes artistas internacionais. Esse reconhecimento é importante porque mostra que estamos falando de cultura, de uma cadeia que gera trabalho, movimenta a economia e projeta o Paraná para o país e para o mundo. Para nós, que há décadas ajudamos a construir grandes eventos ligados ao gênero, é uma conquista que tem um significado muito especial”, destaca Cornelsen.

De Curitiba ao litoral, grandes eventos ajudaram a construir essa história

Fundada em Curitiba em 1986, a Planeta Brasil Entretenimento acompanhou de perto o desenvolvimento desse mercado. Ao longo de sua trajetória, a produtora esteve por trás ou participou da realização de grandes eventos, entre eles o Warung Day Festival, que transformou a Pedreira Paulo Leminski em uma enorme pista a céu aberto e ajudou a inserir definitivamente Curitiba no calendário nacional da música eletrônica.

Realizado pela primeira vez na capital paranaense em 2014, o Warung Day Festival cresceu ao longo das edições e reuniu dezenas de artistas brasileiros e internacionais. Em 2017, o evento chegou a receber o prêmio de Melhor Festival de Música Eletrônica do Brasil no Rio Music Conference, superando outros grandes festivais realizados no país.

Essa trajetória continua em 2026. Entre os projetos ligados à Planeta Brasil está o Lendaa, que leva a música eletrônica para Morretes e conecta grandes apresentações a um dos cenários naturais e turísticos mais conhecidos do Paraná. A proposta amplia geograficamente a presença desse circuito, mostrando que a força da cena ultrapassa os limites da capital.

Curitiba, por sua vez, segue recebendo artistas que ajudaram a escrever a história mundial do gênero. Neste dia 28 de agosto, o alemão Sven Väth, um dos nomes mais influentes do techno, se apresentou no Cine Lido na estreia da Frisson Sessions, label criada pela Planeta Brasil e Seven Experience.

Pouco mais de dois meses depois, será a vez de um dos maiores eventos eletrônicos do ano ocupar a Pedreira Paulo Leminski. No dia 31 de outubro, Solomun desembarca em Curitiba para uma apresentação que contará também com Vintage Culture, reunindo duas das figuras de maior projeção da música eletrônica contemporânea. A própria Planeta Brasil informa que integra a realização do evento ao lado da Seven Experience.

Outros projetos recentes também ajudam a dimensionar a diversidade da cena. Em julho, por exemplo, a produtora levou Honey Dijon à Ópera de Arame com a Housenation, colocando mais um nome de projeção internacional em um dos principais cartões-postais da cidade.

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