Política pública estadual valoriza hábitos culturais indígenas e quilombolas na merenda escolar com enfoque em segurança alimentar
A alimentação escolar no Paraná respeita tradições indígenas e quilombolas, aliando cultura e segurança nutricional para garantir educação inclusiva.
A integração da alimentação escolar no Paraná com tradições culturais indígenas e quilombolas
A alimentação escolar no Paraná tem se consolidado como uma política pública que alia tradição, pesquisa e segurança nutricional. Em 2025, o Estado distribuiu cerca de 15 toneladas de banha suína às escolas indígenas, um volume quase duas vezes maior do que em 2019, refletindo a alta aceitação do ingrediente tradicional. Essa iniciativa atende 62 escolas indígenas e quilombolas, com aproximadamente 9.800 servimentos, reafirmando o compromisso do Governo do Paraná com a preservação dos hábitos alimentares dessas comunidades e a garantia da segurança alimentar dos estudantes.
A diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, destaca que a alimentação escolar ultrapassa a mera oferta de refeições, configurando-se como um componente do processo educativo. Respeitar a cultura alimentar é fundamental para promover educação e garantir a nutrição adequada, elementos que impactam diretamente no desenvolvimento e aprendizado dos estudantes.
Pesquisa aprofundada fundamenta uso da banha suína no cardápio escolar
A política de inclusão da banha suína nas merendas escolares tem respaldo técnico por meio de um estudo realizado pelo Fundepar em 2017, que investigou a cultura alimentar indígena, evidenciando a preferência pelo uso da banha em comparação ao óleo vegetal. O levantamento confirmou práticas já observadas nas escolas, como a preparação tradicional do tipá, uma massa frita em banha suína, consolidando a importância desse ingrediente na autonomia alimentar dessas comunidades.
Segundo Andréa Bruginski, responsável técnica do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no Fundepar, a demanda por banha suína já era percebida empiricamente nas comunidades indígenas e quilombolas, mesmo antes de formalizada. A inclusão da banha no cardápio foi estendida posteriormente a escolas quilombolas, após diálogo com as comunidades, ampliando o alcance da política alimentar para duas unidades em Adrianópolis e Palmas.
Segurança alimentar e respeito cultural como pilares da alimentação escolar
A política estadual alinha-se às diretrizes do PNAE, que estabelece a oferta de alimentação saudável e adequada, respeitando tradições culturais. A banha suína, considerada uma gordura menos industrializada e mais natural, é ofertada de maneira equilibrada, representando uma alternativa saudável em relação às gorduras vegetais processadas.
A distribuição da banha suína é realizada por meio de uma pauta específica dentro do sistema centralizado de compras do Fundepar, garantindo que o ingrediente seja destinado exclusivamente às escolas indígenas e quilombolas, respeitando suas particularidades alimentares. Essa estratégia reforça o compromisso com a identidade cultural e a segurança nutricional dos estudantes dessas comunidades.
Investimento e gestão inovadora na alimentação escolar do Paraná
O Governo do Paraná investe mais de R$ 500 milhões anualmente para garantir alimentação de qualidade a cerca de 1,3 milhão de estudantes em 2.088 escolas. O sistema centralizado de compras permite que o Estado adquira e distribua os alimentos, valorizando ingredientes regionais e preservando tradições locais.
Esse modelo possibilita o cálculo da alimentação por servimento, oferecendo flexibilidade para que os estudantes possam repetir refeições, o que contribui para a redução do desperdício e maior aproveitamento dos alimentos. A gestão integrada tem sido fundamental para o sucesso da política pública de alimentação escolar, que alia respeito cultural, pesquisa científica e segurança alimentar.
Desafios e perspectivas para a alimentação escolar inclusiva no Paraná
Apesar dos avanços, a consolidação de políticas que respeitem as especificidades culturais demanda constante diálogo com as comunidades tradicionais e adaptação dos cardápios. A valorização da autonomia alimentar e o estímulo à cultura local são essenciais para fortalecer a identidade e melhorar a qualidade de vida dos estudantes.
A pesquisa e o monitoramento contínuo permitem ajustes na oferta alimentar, promovendo saúde e bem-estar. O Paraná demonstra, assim, uma prática pioneira e exemplar no atendimento às necessidades nutricionais e culturais de seus estudantes indígenas e quilombolas, servindo de referência para políticas públicas educacionais inclusivas no Brasil.
Fonte: parana.pr.gov.br


