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De moda passageira a estilo de vida: por que a corrida de rua conquistou os jovens brasileiros

Número de provas oficiais quase dobrou em um ano e faixa de 20 a 24 anos lidera a explosão de novos corredores no país

Não é impressão: as ruas e parques das cidades brasileiras estão, de fato, mais cheios de gente correndo. O que começou como uma onda de bem-estar pós-pandemia se consolidou como um dos maiores fenômenos esportivos do país, e a principal novidade é quem está puxando esse crescimento: a juventude.

Levantamentos recentes do setor mostram que o número de corridas de rua oficiais no Brasil saltou de 2.827 em 2024 para 5.241 em 2025, um crescimento de 85% em apenas um ano. Segundo dados apresentados no Summit da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo) em parceria com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), o país chegou a sediar, em média, mais de 100 provas por fim de semana ao longo do último ano.

Os números de participação impressionam ainda mais. Estudos do setor estimam que cerca de 15 milhões de brasileiros já correm regularmente, e pelo menos 2 milhões deles começaram a praticar a modalidade só nos últimos 12 meses. Mesmo com o ritmo de expansão levemente mais equilibrado projetado para este ano, o mercado segue em rota de crescimento.

A geração que está mudando o esporte

Se antes a corrida de rua era vista como atividade de gente mais madura, os números mostram o oposto. Um estudo da empresa de cronometragem esportiva ChronoMAX, que analisou quase 12 milhões de resultados oficiais entre 2023 e 2025 em quase 10 mil eventos por todo o país, identificou que a faixa de 20 a 24 anos lidera a expansão em praticamente todas as distâncias, com destaque para o crescimento explosivo nas provas de 5km e 10km. A entrada em massa da Geração Z nas ruas de largada é, hoje, um dos principais motores do boom da corrida no Brasil.

O levantamento também aponta a consolidação da presença feminina nas provas, com mulheres já representando pouco mais da metade dos concluintes registrados, além de desempenho cada vez mais competitivo conforme aumenta a distância percorrida.

Mas afinal, por que correr virou febre entre os mais jovens? Especialistas do setor apontam alguns fatores centrais:

Praticidade: correr não exige equipamentos caros, local específico ou habilidades técnicas complexas, o que facilita a entrada de iniciantes.

Senso de comunidade: grupos de corrida têm se multiplicado nas grandes cidades, oferecendo pertencimento e treinos coletivos que vão além do esporte.

Redes sociais: conteúdos sobre corrida fazem parte do dia a dia digital de boa parte dos praticantes, com o TikTok como uma das principais vitrines da modalidade.

Indicação de amigos: a maior parte dos novos corredores relata ter sido influenciada a começar por pessoas próximas, reforçando o caráter social da prática.

Busca por saúde mental e física: em meio à rotina acelerada, a corrida se firmou como válvula de escape acessível para cuidar do corpo e da mente.

O reflexo também aparece no Paraná

O movimento também é visível no Paraná, onde eventos de corrida de rua ganham cada vez mais participantes e edições. Em Curitiba, um exemplo é a Corrida e Caminhada Pequeno Príncipe, que neste ano chega à sua décima edição e já reuniu, ao longo de nove edições, mais de 14.800 participantes entre adultos e crianças. Provas como essa, que unem esporte, causa social e engajamento comunitário, ajudam a explicar como a corrida deixou de ser apenas exercício físico para se tornar parte da identidade de milhares de paranaenses.

Com calendário de provas cada vez mais cheio e novos corredores entrando nas ruas todos os fins de semana, uma coisa parece certa: o boom da corrida no Brasil não é modismo passageiro, e o Paraná corre — literalmente — para não ficar de fora dessa festa.

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