A trajetória do bairro Umbará mostra a integração do campo à cidade e a influência da cultura italiana e polonesa na região
O bairro Umbará em Curitiba tem sua história marcada pela vida rural e pela cultura dos primeiros moradores, com raízes indígenas e influências italianas e polonesas.
Vida rural e economia da erva-mate definem o bairro Umbará em Curitiba
O bairro Umbará, com seus 22,47 km², é o segundo maior em extensão na cidade de Curitiba e possui uma população estimada em 21.990 moradores. Sua história remonta ao século XIX, quando as atividades rurais como a lavoura e a economia da erva-mate marcaram profundamente a região. Nesse período, a fabricação das barricarias — barris usados para estocar a erva-mate — era fundamental. A produção e o comércio da erva-mate foram os pilares econômicos para as famílias que viviam no bairro Umbará.
Raízes indígenas e a origem do nome Umbará
O nome “Umbará” tem origem indígena, derivado da língua tupi-guarani, e refere-se ao fruto vermelho de uma planta silvestre quando carregada. O historiador Marcos Afonso Zanon esclarece que, embora exista uma crença popular que o nome venha da expressão “um barral” referindo-se ao barro típico da região, o termo é indígena e faz parte da rica toponímia local. Essa etimologia resgata a presença dos primeiros habitantes e sua língua, refletindo as raízes culturais do bairro.
A influência dos imigrantes italianos e poloneses na formação social e econômica
As famílias italianas e polonesas se integraram à região após os primeiros colonizadores brasileiros. Essas comunidades desenvolveram atividades ligadas à lavoura, à produção da erva-mate, além da fabricação de barris e cerâmica. A história da família Wosniak, por exemplo, retrata a dedicação à cerâmica e a persistência diante das dificuldades econômicas e tecnológicas, consolidando-se como um legado importante para o bairro Umbará.
Memórias e tradições preservadas pelas famílias locais
Moradores centenários, como dona Brígida Moletta, guardam lembranças da convivência com a natureza, incluindo a domesticidade incomum de um bugio. A tradição da união comunitária é outro aspecto marcante, refletido em momentos de trabalho coletivo nas colheitas e nas celebrações sociais, tais como bailes e casamentos realizados na região. A Rua Nicola Pelanda, conhecida pela decoração natalina da Família Moletta, é um símbolo dessa memória viva e da identidade cultural do bairro.
Infraestrutura, religiosidade e educação no desenvolvimento do bairro
A construção da Paróquia São Pedro, projetada pelo arquiteto João de Mio, foi um marco na consolidação da fé e do convívio social no Umbará. O envolvimento ativo dos moradores, como Irineu Samuel Moletta, mostra a importância da cooperação na edificação da comunidade. Além disso, o estabelecimento do Colégio Estadual Padre Cláudio Morelli contribuiu para a educação formal da região, favorecendo o desenvolvimento local e reforçando o papel do bairro na história de Curitiba.
Transformações urbanas e desafios contemporâneos
Com o passar dos anos, o bairro Umbará passou por mudanças significativas, urbanizando-se e ganhando infraestrutura como asfalto e iluminação pública. No entanto, a vida moderna também trouxe desafios econômicos para setores tradicionais, como a cerâmica, que hoje enfrenta mercado competitivo e altos custos. Apesar disso, a comunidade mantém vivo seu legado cultural e a convivência social, ainda que muitos jovens optem por buscar oportunidades fora da região.
A preservação das tradições agrícolas em meio à urbanização
Embora a agricultura em grande escala tenha declinado, algumas tradições permanecem, como as parreiras de uvas mantidas pela Família Moletta. Com mais de 90 anos, um desses pés de uva continua produzindo para a colheita anual, cuja previsão é de 900 quilos, destinados à produção de vinho caseiro que simboliza a continuidade da cultura rural no bairro Umbará.
Considerações finais sobre a identidade e o futuro do bairro Umbará
O bairro Umbará representa uma confluência entre passado e presente, onde a vida do campo ainda pulsa em meio à cidade. A história de seus moradores, a origem indígena do nome e a influência das comunidades europeias compõem um mosaico cultural que fortalece a identidade local. A perseverança das famílias e a valorização da memória são fundamentais para compreender os desafios e as potencialidades do bairro, que continua a se reinventar sem perder suas raízes.
Fonte: www.curitiba.pr.gov.br
Fonte: Hully Paiva/SECOM


