Com a volta às aulas no início de fevereiro, crianças de todo o país enfrentam o desafio de retomar a rotina escolar após um período de férias marcado por horários flexíveis, noites mal dormidas e uso intensivo de telas. Especialista alerta que a readaptação gradual nos dias que antecedem o retorno pode reduzir impactos como cansaço, irritabilidade e dificuldade de concentração nas primeiras semanas de aula.
A mudança brusca de rotina, que envolve acordar mais cedo, reorganizar horários de alimentação e retomar compromissos diários, exige um processo de readaptação gradual. “Quando a criança sai de um período sem horários definidos e retorna de forma abrupta à rotina escolar, o cérebro precisa de tempo para se reorganizar. Esse ajuste influencia diretamente o comportamento, o foco e a capacidade de aprendizado”, explica a neuropedagoga da Escola Atuação, Carla Lomba de Oliveira.
Outro ponto de atenção destacado por educadores é o uso excessivo de celulares, tablets e televisões durante as férias. O chamado “desmame tecnológico”, redução progressiva do tempo de telas antes do início das aulas, tem se mostrado uma estratégia eficaz para diminuir agitação, melhorar o foco e facilitar a adaptação ao ambiente escolar.
“O cérebro infantil precisa de previsibilidade para funcionar bem. Pequenos ajustes, como antecipar o horário de dormir e diminuir o tempo de exposição às telas antes do retorno às aulas, ajudam a reduzir a sobrecarga cognitiva e facilitam a adaptação ao ritmo escolar”, destaca a neuropedagoga.
Além disso, a especialista reforça que, embora certo grau de irritação e cansaço seja esperado nas primeiras semanas de aula, sinais persistentes de dificuldade de concentração, alterações de humor intensas ou resistência extrema ao ambiente escolar podem indicar a necessidade de acompanhamento mais atento, reforçando a importância de um retorno planejado, gradual e consciente.
A diretora da Escola Atuação, Carolina Pereira Frizon, conta que a responsabilidade pela readaptação deve ser compartilhada entre escola e família. “A escola também precisa acolher esse momento, com atividades mais leves no início do ano, mas o apoio da família é fundamental. Quando os adultos dão o exemplo e mantêm uma rotina mais organizada, a criança se sente mais segura e preparada para recomeçar”, afirma.


