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Empresas entram na era dos funcionários digitais: como agentes de IA estão transformando as operações

Com avanço dos agentes autônomos, empresas passam a avaliar o retorno financeiro da tecnologia, a reorganização das equipes e os riscos de segurança; especialista aponta tendências para novembro

A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de apoio para assumir funções mais ativas nas operações empresariais. Com a evolução dos agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas, acessar informações e coordenar processos, empresas começam a integrar funcionários digitais às suas equipes. A mudança ganha relevância em novembro, quando organizações avançam no planejamento de investimentos e estratégias para 2027.

Segundo o levantamento State of AI in the Enterprise 2026, da Deloitte, apenas 20% das empresas pesquisadas possuem uma estrutura madura de governança para agentes autônomos. O dado evidencia um dos desafios dessa transformação: integrar a tecnologia às operações com resultados mensuráveis e supervisão humana.

Para Fábio Tiepolo, CEO da StaryaAI, a principal mudança está na capacidade dos agentes de executar atividades que antes dependiam de intervenções constantes dos profissionais. “Estamos entrando em uma fase em que a inteligência artificial deixa de apenas responder perguntas e passa a executar atividades dentro das empresas. O funcionário digital não é simplesmente um chatbot mais avançado. É um sistema capaz de participar de processos, conectar informações e realizar tarefas com autonomia supervisionada. Isso muda a maneira como as empresas organizam suas operações e equipes”, explica.

Na prática, os agentes podem atuar no atendimento, acompanhamento de demandas comerciais, atualização de sistemas e execução de rotinas administrativas. A proposta é reduzir tarefas repetitivas e permitir que os profissionais se concentrem em atividades estratégicas, relacionamento e tomada de decisão.

Da experimentação à cobrança por resultados

Depois de um período marcado por testes e investimentos em novas ferramentas, as empresas passam a exigir resultados financeiros mais concretos. De acordo com o Applied AI Index 2026, do Boston Consulting Group (BCG), os gastos com inteligência artificial chegaram, em média, a 3,3% da receita das organizações pesquisadas.

O retorno, porém, ainda representa um desafio. Segundo o levantamento Global AI Pulse 2026, da KPMG, 41% das organizações brasileiras participantes adiaram ou reduziram iniciativas com agentes de IA porque os custos superaram os benefícios esperados.

“O mercado está saindo da fase de implementar inteligência artificial apenas para acompanhar a tendência. Agora, as empresas precisam demonstrar onde a tecnologia gera economia, aumenta a produtividade e melhora os resultados. Um agente de IA só faz sentido quando resolve um problema real do negócio. Automatizar um processo ineficiente, sem avaliar seus custos, não significa necessariamente ganhar eficiência”, avalia o executivo.

Além do investimento inicial, a adoção exige atenção aos custos de integração, manutenção, processamento de dados e acompanhamento das operações automatizadas. Esses fatores devem ganhar peso nas decisões orçamentárias para 2027.

Segurança e qualificação ganham importância

A maior autonomia dos agentes também amplia a necessidade de proteção dos dados corporativos. O Global Cybersecurity Outlook, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 94% dos participantes da pesquisa esperam que a inteligência artificial seja o principal fator de transformação da cibersegurança em 2026.

Entre os riscos estão o acesso indevido a informações, o uso excessivo de permissões e ataques capazes de manipular instruções dos sistemas. Ao mesmo tempo, a integração entre profissionais e agentes exige novas competências relacionadas à supervisão da tecnologia, análise de resultados e gestão de processos automatizados.

A transformação também começa a alcançar empresas de menor porte. Segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, divulgada em 2026, o uso de inteligência artificial passou de 13% para 17% entre as empresas brasileiras pesquisadas. Nos pequenos negócios, o percentual avançou de 10% para 15%, enquanto nas grandes organizações chegou a 50%.

Para os próximos meses, a expectativa é de maior atenção à governança, à proteção de dados e ao desenvolvimento de soluções especializadas. Com o avanço das regulamentações internacionais, empresas também precisarão avaliar como seus sistemas atendem às exigências aplicáveis aos mercados em que atuam.

“A grande mudança para 2027 não será apenas quantas empresas utilizam inteligência artificial, mas como elas organizam o trabalho entre pessoas e agentes digitais. As organizações precisarão definir quais tarefas podem ser automatizadas, quais decisões permanecerão sob responsabilidade humana e como medir o desempenho desses sistemas. O diferencial estará na capacidade de integrar a tecnologia à operação com segurança e resultados concretos”, conclui Fábio Tiepolo.

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