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Tokenização deixa de ser tendência e passa a integrar a estratégia financeira das empresas

Tecnologia baseada em blockchain amplia eficiência operacional, democratiza investimentos e cria novas alternativas para captação de recursos e gestão patrimonial

A tokenização de ativos vem consolidando sua posição como estratégia financeira adotada por empresas de diferentes setores para modernizar operações, captar recursos e otimizar a gestão patrimonial. Impulsionada pela evolução da tecnologia blockchain e pela adoção crescente de ativos digitais do mundo real (Real World Assets – RWAs), a prática amplia o acesso a investimentos, reduz custos operacionais e automatiza processos antes dependentes de múltiplos intermediários.

Muito além das criptomoedas, a tokenização consiste na representação digital de um ativo, direito ou informação por meio de um token registrado em blockchain ou em outra infraestrutura de registro distribuído (DLT). Esse token funciona como um certificado digital que representa, de forma segura e rastreável, os direitos econômicos e jurídicos vinculados ao ativo original. Imóveis, obras de arte, créditos de carbono, títulos financeiros, commodities, royalties, patentes e recebíveis já figuram entre os ativos que podem ser tokenizados.

“A tokenização não deve mais ser vista apenas como uma inovação ligada ao universo das criptomoedas. Ela representa uma nova infraestrutura para registrar, negociar e administrar ativos com mais eficiência, transparência e segurança. As empresas que compreendem esse movimento passam a contar com ferramentas capazes de reduzir custos operacionais, ampliar possibilidades de financiamento e melhorar significativamente sua governança”, afirma Cleverson Pereira, head Educacional da OnilX.

Na prática, o processo envolve a escolha do ativo, a estruturação jurídica que garante os direitos representados, a emissão dos tokens por meio de contratos inteligentes (smart contracts), o registro permanente em blockchain e, posteriormente, sua negociação conforme as regras estabelecidas. Essa estrutura permite fracionar ativos de elevado valor, ampliar sua liquidez e tornar investimentos antes restritos a grandes investidores acessíveis a um público mais amplo.

Além de ampliar possibilidades de investimento, a tokenização vem transformando processos corporativos. Contratos inteligentes automatizam pagamentos de dividendos, distribuição de receitas, atualização de registros patrimoniais e cumprimento de regras regulatórias, reduzindo custos administrativos, tempo de liquidação e riscos operacionais.

A tecnologia também fortalece a rastreabilidade de operações, beneficiando cadeias logísticas, gestão documental, certificações, setor de saúde e controle de ativos corporativos.

“A tokenização está mudando a forma como as empresas administram seus processos internos. Atividades que antes exigiam diversas validações e intermediários podem ser executadas automaticamente, com mais segurança, rastreabilidade e agilidade. É uma evolução que impacta diretamente a competitividade dos negócios”, avalia o especialista.

Na área de captação de recursos, a tokenização abre novas alternativas para empresas, incorporadoras, produtores rurais e projetos de infraestrutura. Empreendimentos imobiliários podem ser divididos em milhares de frações digitais, permitindo investimentos de menor valor e ampliando a base de investidores. No agronegócio, ativos como recebíveis, safras futuras, commodities e créditos de carbono podem ser utilizados para antecipação de recursos. Startups também encontram na tokenização uma nova possibilidade de financiamento por meio da representação digital de participação societária, royalties ou contratos futuros.

Outro avanço relevante está na gestão patrimonial. Empresas e fundos passam a acompanhar ativos em tempo real, com histórico completo de propriedade e movimentações registrado em blockchain. A tecnologia também favorece o uso de ativos tokenizados como garantias em operações financeiras, reduzindo a necessidade de liquidação antecipada de patrimônios e aumentando a eficiência na administração de garantias.

A adoção institucional demonstra que a tecnologia deixou de ser um conceito experimental. Organizações como BlackRock, Franklin Templeton e JPMorgan já operam produtos financeiros tokenizados em escala internacional. No Brasil, iniciativas envolvendo ativos financeiros, recebíveis e debêntures também vêm ganhando espaço, reforçando a tendência de digitalização da economia e da infraestrutura financeira.

Para Cleverson, o momento representa uma mudança estrutural na forma como empresas administram patrimônio e acessam capital. Segundo o especialista, o principal impacto da tecnologia está na integração entre mercados tradicionais e a infraestrutura digital. “A tendência é que imóveis, ativos financeiros, propriedade intelectual, créditos de carbono e diversos outros ativos passem a circular de maneira cada vez mais eficiente em ambientes digitais, mantendo segurança jurídica e maior transparência para todos os participantes.”

Apesar do avanço, o especialista aponta que a consolidação da tokenização ainda depende da evolução regulatória, da interoperabilidade entre diferentes redes blockchain, da padronização tecnológica e do fortalecimento da liquidez dos mercados secundários. Ainda assim, o consenso do setor é de que a tecnologia deve desempenhar papel estratégico na digitalização da economia nos próximos anos, tornando processos financeiros mais rápidos, auditáveis e eficientes. “O mercado já entende os ganhos de eficiência proporcionados pela tokenização. Agora, o desafio está em ampliar a interoperabilidade entre plataformas, fortalecer a segurança jurídica e desenvolver mercados secundários mais líquidos. Esses fatores serão determinantes para que a tecnologia alcance todo o seu potencial na economia digital”, conclui.

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