O retorno de Álvaro Dias ao debate político escancara um sentimento que ronda parte da direita paranaense: a nostalgia de um Senado mais combativo e menos domesticado pelos acordos de Brasília. Aos 81 anos, o ex-governador tenta transformar experiência em ativo eleitoral, apostando no desgaste do Congresso e na revolta popular contra o STF, o orçamento secreto e a velha política do “toma-lá-dá-cá”.
Na entrevista à Band News Curitiba, Álvaro mistura autobiografia, desabafo e discurso de resistência.
Apresenta-se como alguém convocado pelas circunstâncias e não pelo desejo pessoal de voltar ao poder. Mas, por trás do tom sereno, há uma crítica dura ao sistema político atual, que ele classifica como “promíscuo”, dominado por emendas parlamentares, acordos silenciosos e um Congresso que teria abandonado sua função de legislar para se transformar em balcão de distribuição de recursos.
Ao mirar o Supremo Tribunal Federal, o ex-senador também toca em uma das pautas mais sensíveis do eleitorado conservador do Paraná. Defende mudanças na escolha dos ministros, mandato com prazo definido e mecanismos mais fáceis para impeachment de integrantes da Corte. É um discurso afinado com setores que enxergam excessos do Judiciário e cobram reação do Senado.
Mas o que mais chama atenção talvez seja o subtexto político: Álvaro tenta ocupar novamente um espaço que foi tomado pela nova direita, especialmente após a ascensão de Sergio Moro. A diferença é que Moro representa o fenômeno eleitoral da Lava Jato; Álvaro tenta vender experiência, memória administrativa e legado político.
No fundo, a entrevista revela mais do que uma pré-candidatura. Mostra um político veterano tentando provar que ainda há espaço para sua voz em um Paraná dominado por novas lideranças conservadoras, disputas ideológicas radicais e um eleitorado cada vez menos paciente com figuras tradicionais da política.


