O homem que, sob o discurso de combate implacável à corrupção e amparado pelo manto da Operação Lava Jato, espalhou temor entre empresários e políticos paranaenses, continua surpreendendo — mas não exatamente pelos motivos que prometia. Deltan Dallagnol, que teve o mandato de deputado federal cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral, volta ao centro das manchetes nacionais envolvido em mais uma controvérsia.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, depósitos que somariam R$ 365,6 mil, oriundos do Partido Novo, teriam sido feitos em sua conta particular. À época, em 2024, os repasses representariam mais de R$ 30 mil mensais. De acordo com a publicação, os recursos teriam origem no Fundo Eleitoral — dinheiro público destinado ao financiamento de campanhas —, e não em atividades privadas, como palestras ou consultorias.
Lei da ficha limpa
As revelações reforçam o discurso da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que há tempos questiona a atuação e a conduta política de Dallagnol. Pré-candidata ao Senado, Gleisi afirma que o ex-procurador é inelegível por estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa, apesar de ele continuar se apresentar como candidato à Câmara Alta.
Para quem construiu a própria carreira cobrando dos outros rigor absoluto, transparência e moralidade, cada nova suspeita amplia o contraste entre o discurso que o projetou nacionalmente e os questionamentos que hoje cercam sua trajetória política. Na política, a régua usada para medir os adversários costuma voltar, mais cedo ou mais tarde, para quem a empunhou.
Se o objetivo é uma coluna de opinião, posso deixá-lo ainda mais irônico e mordaz, preservando os cuidados para não transformar alegações em afirmações de fato.


