Acho que todos tem – ou deveria ter – seu livro de cabeceira, seja de orações, poesias ou clássicos da literatura brasileira e mundial. Eu tenho dois: As Lições do Príncipe e outras Lições, de Nedson Rodrigues, e Fernão Capelo Gaivota, de Richard Bah – e, também, sempre que posso, volto ao Profeta, de Kalil e a Revolução dos Bichos, de George Orwell. Foi lendo interpretação de o Profeta, por Rafaella Munhoz da Rocha, que me veio a ideia de fazer um comparativo com narrativa política.
Na política paranaense, um nome chama a atenção pelos desafios que está enfrentando, por seu enfrentamento e, aqui, posso dizer, do bando de gaivotas.
Greca e Fernão Capelo Gaivota
Como Fernão Capelo Gaivota, Rafael Greca parece disposto a voar além dos limites que lhe são impostos pelo próprio bando. Enquanto muitos políticos preferem a segurança da revoada, repetindo rotas já conhecidas, Greca escolhe enfrentar ventos contrários, desafiar previsões e seguir uma trajetória própria. O preço desse voo é a incompreensão de aliados, a crítica dos adversários. Mas é justamente essa disposição para romper padrões que alimenta sua ambição de alcançar novos horizontes no Paraná. Chegar ao Palácio Iguaçu como governador.
Greca me lembra Fernão Capelo Gaivota: uma figura que se recusa a voar apenas para acompanhar o bando. Prefere buscar altitudes mais elevadas, mesmo sob o risco de enfrentar tempestades, desconfianças e dissidências. Como a gaivota de Richard Bach, parece acreditar que os limites existem apenas para serem superados.
Voo longe da obediência

Greca tenta ocupar o papel de Fernão Capelo Gaivota da política paranaense: voa sozinho, desafia a lógica do bando e aposta que a ousadia pode levá-lo mais longe do que a obediência.


