A 76ª edição do Festival di Sanremo acontece entre 24 e 28 de fevereiro e promete, mais uma vez, transformar a cidade de Sanremo, na Ligúria, no centro da música italiana. Realizado no tradicional Teatro Ariston, o evento é considerado um dos mais importantes festivais musicais da Europa e referência histórica da canção italiana.
A edição de 2026 será apresentada por Carlo Conti, que retorna como diretor artístico e anfitrião, ao lado da cantora Laura Pausini, responsável pela coapresentação em todas as noites. Pausini iniciou sua trajetória no próprio festival, em 1993, e se tornou uma das artistas italianas de maior projeção internacional.
Entre os convidados confirmados estão o ator Can Yaman, o cantor Achille Lauro e o humorista Lillo Petrolo. Ao todo, 30 artistas disputam na categoria principal, além dos participantes da tradicional seção dedicada a novos talentos.
Criado em 1951 no Casino di Sanremo, o festival surgiu com o objetivo de impulsionar o turismo de inverno e valorizar a música nacional em um país que se reconstruía no pós-guerra. Na primeira edição, participaram apenas três artistas: Nilla Pizzi, Achille Togliani e o Duo Fasano.
Ao longo das décadas, o palco do Ariston revelou canções e intérpretes que ultrapassaram fronteiras. Um dos casos mais emblemáticos é “Nel blu dipinto di blu”, de Domenico Modugno, conhecida mundialmente como “Volare”, que alcançou reconhecimento internacional, inclusive no Grammy Awards. Também passaram pelo festival nomes como Mia Martini, Lucio Dalla e Eros Ramazzotti.
A partir dos anos 1990, o evento ampliou sua presença internacional e apresentou artistas que se tornaram referências globais, como Giorgia, Andrea Bocelli e Tiziano Ferro. O festival também serve como vitrine para a escolha de representantes italianos no Eurovision Song Contest.
Para a ex-parlamentar italiana Renata Bueno, o Sanremo vai além do espetáculo televisivo. “Como descendente de italianos e ítalo-brasileira, acompanho o festival não apenas como espectadora, mas como alguém que reconhece nele um símbolo profundo da cultura, da memória e da evolução da Itália. Sanremo traduz, em música, aquilo que os italianos sentem, discutem e sonham dentro e fora do país”, afirma.
Ela destaca ainda a capacidade do evento de atravessar gerações mesmo na era do streaming. “Em tempos de consumo rápido e playlists descartáveis, Sanremo mantém sua relevância por unir gerações. Avós e netos compartilham o mesmo sofá, cantando clássicos enquanto descobrem novos artistas nas categorias Big e Nuove Proposte”, observa. Segundo ela, o formato, que reúne 30 competidores principais e jovens talentos em noites temáticas com duetos e releituras, contribui para manter viva a tradição musical italiana.
Em 2026, o festival foi programado excepcionalmente para o fim de fevereiro para evitar coincidência com os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, que serão realizados em Milão e Cortina d’Ampezzo. A expectativa é de forte audiência tanto na Itália quanto no exterior.
Renata também ressalta a importância simbólica do festival para a comunidade ítalo-brasileira. “Para brasileiros com raízes italianas, Sanremo é mais do que entretenimento. É uma conexão viva com a história, a língua e as emoções da terra dos antepassados. Muitas famílias no Brasil cresceram ouvindo canções que nasceram naquele palco, mantendo viva uma identidade que atravessa oceanos”, conclui.
O festival será transmitido pela RAI e disponibilizado via streaming internacional.


